É que aqui está um tremendo sol, desculpem que vos diga. Escrevo de Berkane, uma cidade no nordeste de Marrocos da qual, infelizmente, ainda não vos  posso contar muito. No entanto, e já que têm a simpatia de ir seguindo este blog, queria partilhar como foi a viagem de chegada, que aconteceu ontem, e as primeiras impressões desta, mesmo a calhar, viagem até à costa mediterrânica.

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Tudo aconteceu quando, há umas semanas, recebi um convite para cá vir. Foi uma coisa bastante inesperada, não estava a contar usar dias de férias no meio de Abril, mas, os últimos meses foram bastante cansativos a nível físico e emocional, por isso, decidi aceitar esta oferta de, vá, o Universo (em forma de operadora turística) que me tinha caído no colo. Percebi, nas minhas primeiras incursões na net, que não há muita informação desta zona em português, pois  Berkane não é um dos destinos favoritos nas viagens a Marrocos. A razão é ser uma zona que, só agora, começou ser pensada como um potencial destino de férias para os estrangeiros.

Portanto, pesquisados alguns dados sobre a zona, comecei a tratar do que havia para preparar. No fundo não é muito, apenas ter o passaporte em dia (para os portugueses não é preciso visto) e, caso viajem com os filhos sem algum dos pais a acompanhar, ter uma autorização, com assinatura reconhecida, para poder sair com eles do país.

Viajei ontem, apanhei o avião até Casablanca (duas horas de viagem, mais ou menos) de onde se apanhou outro avião até Oujda. A espera até ao segundo vôo fez-se numa pequena sala com um café,  o que acabou por servir para aprender a relação entre os euros e os dirhams (moeda local). Basicamente 1 euro dá são 10 dirhams, portanto, uma água  de  13 dirhams custou-me 1.30 euros (duas notas: aceitam euros no aeroporto e a água tinha preço de, precisamente, aeroporto, fora é muito mais barata).

Os adultos começaram a olhar demasiado para o relógio com a espera pelo segundo avião, no entanto,  as crianças que por lá andavam, de várias nacionalidades (portuguesas, francesas, marroquinas) iniciaram uma série de jogos em conjunto, em vários idiomas imperceptíveis para cada um deles, que acabaram com a monotonia estabelecida.  Ahh, como tenho saudades desses tempos em que a vontade de brincar ultrapassava a barreira das diferentes línguas e outros bloqueios da vida adulta. Foi lindo vê-los a todos com pena na despedida.  Factor importante: Na época alta há vôos directos dos aeroportos portugueses até Oujda, portanto, a coisa é muito mais simples e não há esperas entre vôos.

Com tudo isto cheguei a Oudja às 10h30 da noite com ainda uma viagem de autocarro para fazer até Berkane  (mais ou menos 40 minutos de estrada). Estes passeios são sempre óptimos para se fazer um rápido reconhecimento do sítio. Percebi que há muita gente a calcorrear pelas ruas noite dentro, que se anda, basicamente, de bicicleta e  que há uma sensação de segurança por estes lados que leva a que existam casas de porta aberta com pessoas a dormir profundamente no sofá (fui testemunha disso através da minha janela).

A chegada ao hotel foi por volta da meia-noite e, no momento, tive mesmo pena de estar tão arrasada, por tudo me parecer tão belo e magnânimo (quando vi a cama passou-me toda a pena, é um facto).  O espaço é tão grande que ainda me custou dar com o quarto, passeando pelo meio de fontes, piscinas, e palmeiras e mais palmeiras, e o pensamento andava num misto entre: “Quero camaaaa” , e, “Quero que amanheça para ver tudo isto com a luz do Sol”. Por fim, dei com o quarto, e com uma maior casa de banho onde alguma vez já estive. É tão extensa que há zonas onde não há nada, só espaço. A sério, estava cheíssima de sono, morta para me deitar, mas unnamed-1com a exitação infantil de explorar esta zona que habitualmente é tão chata e directa ao assunto. O wc deste hotel tem lavatórios (plural) zona de duche, de sanita (como estava dentro de um compartimento, com porta, ainda pensei que se tivessem esquecido dela) e, umas escadas com um jacuzzi no topo (sou honesta, nunca tinha estado numa casa de banho tão fina).  Bom, passado o frenesi  apareceu o factor fome, violenta fome. Deu-me, por isso, satisfação avistar os pratinhos que tinham sido deixados com frutos secos e bolachas. Digo-vos, experimentei as melhores amêndoas e tâmaras da minha vida. Asseguro que o sabor é diferente, especialmente o das amêndoas que são mais pequenas e intensas do que as nossas. As bolachitas também me souberam a glória, porque estava esfomeada, verdade, e porque são feitas à base de frutos secos que é coisa de que muito gosto (apanhei vestígios de figos, passas, e, lá está, amêndoa).

unnamedQue alegria quando abri as janelas do quarto de manhã. É que, de noite,  não tinha percebido o quão perto estava do mar, tão perto que um pouco de vento nos traz areia aos pés. Só tive tempo para dar lá um salto, mas não tanto como quero. De todas as formas vejo-a da minha janela, a praia e não só, também os dromedários que andam por lá (que coisa tão exótica, uma vista com dromedários). Os planos nos próximos dias são conhecer a zona natural (o rio Moulouya, o val do Zegzel, a gruta do “Chameau” e  a aldeia de Tafoughalt no Monte Beni Snassen) e visitar o mercado de Oujda. Tenho bastante curiosidade em experimentar a comida local sendo que, como não consumo carne, estarei mais inclinada para os pratos vegetarianos da zona que têm fama de causar sensação.

Estou de volta, ao blog,  amanhã. Até lá, vão comendo ameixa umeboshi e kuzu para enfrentar o frio e a chuva, sim?