O Francisco Varatojo, director do Instituto Macrobiótico de Lisboa (IMP) , prestou-se a, regularmente, responder às vossas questões. O Francisco é, recordo, um dos mais prestigiados nomes, no mundo, na área macrobiótica, dá aulas em diversos países, escreveu vários livros sobre a temática, já leccionou em várias universidades para além de ter sido consultor de vários espaços de saúde. O Francisco dá consultas no IMP, portanto, se o quiserem consultar pessoalmente, é só ligar para lá (aqui está a página de net)

Aqui vos deixo as respostas a mais uma série de vossas questões. Lembrem-se que, como o Francisco não vos está a ver e não consegue, sem ter falado convosco directamente, ter uma imagem completa de quem são, as respostas são mais generalistas que precisas e personalizadas. E também recordem que estes conselhos não substituem uma consulta privada com ele ou com um médico, coisa que devem fazer se acharem necessário, está bem.  Podem deixar as vossas dúvidas para as próximas respostas, só vos peço que as enviem para [email protected]

 

Maria João 

Bom, devo começar por dizer que tenho 30 anos e estou a começar/recomeçar a prática do desporto.
Eu não como carnes vermelhas. Como algumas brancas, ocasionalmente, não bebo lácteos e o ovos que compro são de galinhas criadas ao ar livre. Tenho preocupação com a minha saúde mas também sou uma apaixonada pelos animais pelo que ando assim numa tentativa de mudar algumas coisas na minha vida.
As minhas dúvidas são as seguintes:
Eu preciso de emagrecer e neste regime mais macrobiótico está implícito o consumo de uma quantidade de cereais maior que aquela que costumo consumir… pela questão, mito ou não, de reduzir o consumo de HC para se emagrecer. Será que com um regime assim macrobiótico consigo atingir o meu objetivo? A comer Quinoa, cevadas e afins?
Outra dúvida está relacionada com as algas. Eu tenho vários nódulos na tiróide e tomo medicação. As algas e o iodo são ou não benéficas para uma pessoa com problemas de tiróide?
Por último: tens necessidades de tomar vitamina. Fala-se muito na necessidade da Vitamina B12 num regime vegetariano. Concordas?
Muito obrigada por leres este meu e-mail e continua a ser assim como és!
Uma fã J
Maria João

Resposta:
Olá Maria João,
Antes de mais, parabéns. A prática regular de exercício físico associada a uma alimentação cuidada só te poderá trazer bons resultados.
Quanto às questões que colocas: “e neste regime mais macrobiótico está implícito o consumo de uma quantidade de cereais maior que aquela que costumo consumir”, nota que os cereais integrais devem ser principalmente consumidos em grão e neste caso são ótimos para emagrecer, já que dinamizam o funcionamento do intestino e permitem eliminar de forma mais eficaz as gorduras instaladas no corpo. Os macrobióticos são aliás conhecidos por terem corpos secos. Quando te referes a HC que engordam, estás-te a referir aos hidratos que são processados e que o nosso corpo tem dificuldade em digerir, como sejam todos os produtos com farinhas refinadas (por exemplo, pão, bolachas e algumas massas de compra). Quanto mais processado o HC, mais dificuldade na sua absorção, para além de que costumam vir acompanhados por óleos e açucares, o que não acontece com os cereais integrais de grão. Assim, recomendo-te que em todas as refeições incluas os cereais integrais em grão, sem a preocupação de virem a pesar na balança. Ainda relativamente à quinoa, esse cereal é mais indicado para o Verão, pelo que não recomendo muito a sua utilização nesta altura do ano. Por outro lado, há algumas questões eticas associadas à utilização da quinoa, que te sugiro que pesquises acerca das mesmas, ou que procures em respostas que dei anteriormente.
Um remédio caseiro bom para emagrecer (não descurando de incluir o cereal em grão a todas as refeições) é chá de cenoura e nabo ralados com duas gotinhas de shoyu (bebida de soja, sem açucar), bebido em jejum, todos os dias na primeira semana e espaçar na semana seguinte.
Relativamente às algas e à tiroide, se se tratar de hipertiroidismo há certas algas que devem ser evitadas enquanto no caso do hipotiroidismo as algas são mesmo recomendadas. No entanto, como deves imaginar, seria necessária uma análise mais detalhada do teu caso, já que cada caso é único.
Finalmente, no que se refere à B12, a sua deficiência tanto se pode encontrar em vegetarianos como em omnivoros que consumam muita carne, porque a questão nem sempre resulta da maior ou menor quantidade de B12 consumida, mas antes da (in)capacidade de o organismo a fabricar e absorver. Num regime totalmente vegetariano (vegan) a deficiência de B12 pode às veze ser um problema pelo que pode ser necessário tomar um suplemento desta vitamina. Se te quiseres tornar vegan sugiro que faças análises anuais à B12 e que tomes um suplemento se os valores estiverem muito baixos.
Desejo-te as maiores felicidades
 Cátia 

Há alguns anos atrás, fui à minha primeira consulta de acupuntura (que deixei de fazer por incapacidade económica) para tentar tratar um grave problema de hiperidrose que tenho desde criança, foi agravando ao longo dos anos e que se mantém.
Nessa consulta, foi-me diagnosticado, o que na medicina chinesa se entente por, vazio de yang. Na altura a médica disse-me que era um caso grave e já em estado extremo.
Sou uma jovem com 30 anos e tenho os vários sintomas associados: transpiração profusa (muito abundante, em várias partes do corpo, sendo que mais intensa nas mãos, pés e axilas e tanto de dia como à noite), membros das mãos e pés frios, pulso fraco, tez pálida, pele seca, ansiedade, falta de auto estima, insegurança, irritabilidade, palpitações, apatia e tendência para cair facilmente em depressão, pouco apetite sexual, a memória também está notavelmente muito afectada, sinto-me mais cansada embora tenha uma vida pouco activa, estou demasiado magra, não tenho apetite e consequentemente sinto o corpo mais fraco e debilitado.
Gostaria de saber se me pode ajudar e indicar qual a melhor dieta macrobiótica para o meu caso e também se existem remédios caseiros que possam ajudar a melhorar o meu estado.
Aproveito para dar os meus parabéns a toda a família Varatojo pelo excelente trabalho, dedicação e partilha!
Muito obrigada e os melhores cumprimentos!

Resposta:
Olá Cátia,
Face ao que descreves, julgo que a prática macrobiotica te poderá ajudar.
Assim, sugiro-te que comas, a todas as refeições, cereais integrais em grão (usando regularmente trigo sarraceno ou massa de trigo sarraceno, também conhecida por Soba, que é bastante saborosa), assim como legumes escaldados e/ou estufados (especialmente as raizes, como as cenouras, a bardana ou o nabo) e leguminosas, em especial o feijão azuki e o feijão preto.
Também deverás consumir sopa de miso, todos os dias ou com bastante frequência, preferencialmente antes do almoço.
Deves mesmo evitar todo o tipo de estimulantes, como os açucares, o café, o chocolate e o alcool (desestabilizam o sistema nervoso), assim como as carnes (brancas e vermelhas) e as farinhas processadas e com fermentos que não são naturais, porque baixam a imunidade ao atacarem o intestino.
Enquanto remédio caseiro, sugiro-te que faças chá de feijão azuki durante uma semana seguida, todos os dias, e depois ir espaçando. Basta juntar água e feijão e deixa cozinhar por 20 minutos, incluindo, no final, duas gotas de bebida de soja de boa qualidade, isto é, sem açúcar adicionado.
Também te sugiro que faças diariamente um escalda-pés antes de dormir, que consiste em colocar os pés em água quente e sal durante uns 3 a 4 minutos e depois podes massajar suavemente a base dos pés durante mais dois minutos. Definires uma atividade que te dê prazer, como caminhadas na natureza, assim como uma atividade fisica de que gostes, como ioga, tai shi ou outra (aqui a natação não será a melhor opção) seriam otimas opções.
Desejo-te as maiores felicidades.

 

Maria Pereira Silva

Há vários meses que tento ter uma alimentação correta mas não consigo saber o que realmente me inflama. Como pouca carne e praticamente só as brancas… no entanto sofro duma troncaterite e de osteopenia e principalmente fico inchada se por acaso como uma refeição mais abundante. Tambem como tenho as fezes duras isso causa que muitas vezes sangro.
Deixei de comer praticamente laticínios e bebo água de Monchique, no entanto queria umas indicações para saber o que me faz mal já que não consigo sair deste impasse.
Os meus agradecimentos.

Resposta:
Olá Maria,
Pelo que descreves relativamente à tua condição intestinal, julgo que deves eliminar todo o tipo de farinhas de forno (nas quais se inclui o pão, as massas de compra, os bolos, as pizas, …) e os estimulantes (como o açucar, o café, o alcool), porque os primeiros secam os intestinos e os segundos inflamam-nos.
Indicas que deixaste de comer carne vermelha e muito bem. No entanto, sugiro-te que elimines também as brancas, porque tal como as vermelhas, prejudicam a condição intestinal e são fonte de gordura muito pouco saudável ao organismo – podes e deves trocar a carne por leguminosas, como o grão, o feijão e principalmente, neste quadro que indicas, as lentilhas. Também te sugiro que elimines totalmente os laticinios (leite, iogurtes, queijo) já que também não são benéficos ao intestino e não ajudam a estrutura óssea, pelo contrário. Nota que o consumo excessivo de proteína animal faz o organismo perder minerais como cálcio contribuindo significativamente para a osteopenia e osteoporose.
Assim, julgo que se eliminares as carnes e os leites, bem como as farinhas de forno e os estimulantes, que já vais sentir diferenças na tua condição intestinal, assim como na troncaterite.
Se quiseres favorecer o intestino, sugiro que faças, uma vez ao dia e antes as refeições, sopa de miso de cevada não pasteurizada com alga wakame e vegetais verdes, que serve como remédio caseiro, devendo ser tomada diariamente, por duas semanas. Às refeições também deves incluir vegetais verdes (não bastando as saladas cruas e sendo necessário também legumes escaldados ou estufados), os cereais integrais em grão (principalmente a cevada e o arroz integral, podendo até ser cozinhados em conjunto e devendo ser demolhados antes de cozinhados por cerca de três horas) e finalmente as leguminosas (de que te falei em cima).
Finalmente, o exercicio fisico é ótimo para fortalecer o intestino, pelo que te recomendo caminhadas de 30 minutos, em passo rápido, diáriamente.
Desejo-te as maiores felicidades
Mafalda Matos

Para o Francisco: tenho 24 anos e desde os 16 que tomava anticontraceptivos orais. Em Janeiro deste ano deixei de tomar e, desde então, amenorreia. Em Fevereiro mudei de país e, consequentemente de clima (a Suíça é bem mais fresquinha que o nosso Portugal) e hábitos.
Sei que após deixar a pílula pode haver uma amenorreia temporária, mas 10 meses parece-me demais. Gostaria de saber a sua opinião e o que posso/devo fazer. Obrigada!
Resposta:
Olá Mafalda,
Aproveito para te fazer uma pequena introdução à alimentação macrobiótica, indicando que esta passa por incluir no prato um cereal integral (preferencialmente em grão), legumes variados, uma leguminosa e um picle natural, sendo que a forma de incluir estes elementos é muito diversa (por exemplo podem ser usados sob a forma de empadão ou lasanha, entre outras), devendo também ser consumida sempre sopa antes da refeição (excluindo a batata).
Especificamente para o caso que descreves, os cereais que recomendo são o arroz glutinoso, o millet glutinoso e a aveia (em grão); já as leguminosas que mais deves utilizar (demolhadas por 8 horas e cozinhadas posteriormente com alga kombu) são o feijão de soja preto e o feijão azuki; e no caso dos legumes, nomeadamente o alho francês, assim como das raízes, como sejam a cenoura, o nabo ou o rábano. O peixe branco de mar também é indicado no teu caso, devendo ser consumido 1 a duas vezes por semana, mas deves evitar alimentos demasiado salgados.
Sugiro-te ainda que evites todo o tipo de alimentos de forno (pão, bolachas, …) bem como os estimulantes (açúcar, álcool, café), porque não ajudam na tua condição.
Em termos de remédio caseiro podes fazer chá de feijão azuki com duas gotas de molho de soja (de boa qualidade, sem açúcar adicionado), diariamente por duas semanas e depois ires reduzindo a toma.
Externamente, podes fazer antes de dormir um escalada pés com água salgada, antes de dormir, assim como praticar um desporto que descontraia, como caminhadas sem passo muito apressado ou dança.
É normal ficar com amenorreia quando se para com a pilula contracetiva, mas a condição deverá normalizar, ainda que possa demorar alguns meses.
Felicidades

Anabela Fernandes 

Gostaria de saber se me podes orientar com a ajuda do Dr. Francisco Varatojo, para com o meu problema. Sofro de insuficiência linfatica, o que provoca inchaço nas pernas e acumulação de gordura nas mesmas. Nao sendo gorda, porque tenho o IMC na média, tenho no entanto um indice de massa gorda um pouco açima do desejável. O que posso fazer em termos alimentares para eliminar essa gordura que se instala e provoca dores. Devo deixar os lácteos? A carne? Actualmente faço uma alimentação (tradicional) variada saudável, mas ainda não aderi à vertente dos cereais.

Resposta:
Olá Anabela,
Respondendo às tuas questões sobre se deves deixar os lácteos e a carne, a resposta é sim, deves, não só pela gordura associada a esses alimentos, como pelo facto de, ao contrário do que atualmente temos ideia, não eram alimentos que fossem consumidos tradicionalmente, na mesma quantidade que hoje são consumidos, mas apenas em dia de festa. Para além disso, tanto a carne como o leite, no passado, não eram produzidos como hoje em dia o são, ou seja, de forma mais industrializada e com muitos antibióticos.
Assim, recomendo-te que substituas a carne (tanto a branca como a vermelha) por peixe branco, preferencialmente de mar, assim como por leguminosas (demolhadas por 8 horas e cozinhadas com alga Kombu), como o grão, o feijão e as leguminosas. Em cada prato também deverás incluir cereais integrais de grão, como sejam o millet, o arroz integral, a cevada, ou o trigo-sarraceno, entre outros (devendo estes ser demolhados por 3 horas) e ainda incluir verdes variados escaldados ou estufados em todos os pratos (as saladas são mais benéficas no verão).
Comer sopa diariamente também é importante. Deves fazer frequentemente sopa de miso, preferencialmente de cevada não pasteurizada, pela manhã ou antes do almoço, juntando cenoura e cebolinho, este último imediatamente antes de servir.
Um remédio caseiro que poderá ajudar na condição que descreves é chá de nabo e cenoura ralados com duas gotinhas de shoyu, bebido em jejum, todos os dias na primeira semana e espaçar na semana seguinte.
Um remédio externo que deverá ajudar é fazeres todas as manhãs um banho seco, que consiste em esfrega o corpo com uma toalha quente e húmida, de forma vigorosa mas sem pressionar demasiado a pele. Finalmente, seria bom fazeres exercício físico, dinamiza o corpo e ajuda na condição.
Desejo-te as maiores felicidades

Mafalda Rodrigues 

Muitos parabéns pelo teu blog, acredito que na nossa vida nada acontece por acaso.
A minha preocupação e procura por uma alimentação saudável fez-me chegar até ti, até ao teu blog, que está excelente.
Tenho 43 anos, casada e sou mãe de 2 rapazes.
Estou no inicio de uma caminhada nada fácil mas não impossível, tento transmitir e desenvolver hábitos saudáveis com a  minha família.
Tenho lido muitos artigos e não desisto, sei que a mudança vai ser possível mas quero introduzir as alterações em pequenos passos.
É neste sentido que peço ao Dr. Francisco algumas orientações para iniciar esta minha nova vida.
Em casa somos quatro e bem diferentes em termos de saúde, mas acredito que tudo se tornará mais fácil com alterações a nível alimentar:
O meu filho mais velho, tem 14 anos, tem diabetes tipo 1 desde os 5 anos, usa bomba infusora de insulina.
Já foi seguido por vários nutricionistas e sinceramente cada um com a sua teoria, algo que me deixou um pouco confusa pois se uns diziam para comer hidratos de carbono outros aboliram por completo. É um adolescente muito responsável e adere facilmente a novas rotinas alimentares.
O meu filho mais novo, tem 2 anos e meio.
É um caos para comer, come muito pouco em termos de diversidade, como canja (sem frango), arroz de manteiga, batatas fritas(eu sei é um horror), banana, maça, pera, melão, alface, tomate, pão, queijo, leite, iogurtes e bolachas.
É um suplicio, tenho consciência que tem uma péssima alimentação, já tentei de tudo, de todas as estratégias possíveis, já teve 19horas sem comer e nada resulta, não quer experimentar nada de novo.
É uma frustração constante que sinto diariamente, sei que tem carências nutricionais e estou sinceramente muito preocupada.
O meu marido é obeso, já tentou várias dietas, perde peso mas depois acaba sempre por recuperar.
Eu sofro desde os meus 10 anos (pelo menos que me lembre) de enxaquecas, já fiz alguns tratamentos e nada resultou a sensação que ficava sempre é que estava a encher-me de químicos e não via nenhuma melhoria, talvez no inicio as crises não fossem tão fortes, mas depois tudo voltava ao mesmo.
Todos (à excepção do pequeno) comemos sempre sopa e legumes ao almoço e jantar, comemos mais peixe do que carne, só os miúdos bebem leite.
Por onde posso começar?
Muito obrigada pela vossa ajuda
Atentamente
Resposta:
Olá Mafalda,
O facto de teres consciência de que desejas mudar de hábitos alimentares é ótimo e só por isso, os meus parabéns.
Face ao que descreves, julgo que um primeiro passo poderá ser a inclusão de cereais integrais de grão na alimentação, como é o caso do arroz integral, do millet, da cevada ou do trigo-sarraceno, entre outros. Podes inclui-los na sopa e nos pratos principais. O millet costuma ser muito apreciado por quem não é macrobiótico, podes dar mais preferência a esse cereal.
Os legumes também são essenciais aos casos que descreves, pelo que o ideal seria, para além de continuarem a comer sopa (preferencialmente sem batata), incluir também legumes escaldados ou estufados no prato, variando bastante nos legumes usados.
A proteína animal (carnes brancas e vermelhas, ovos, lacticínios, …) deve ser substituída por leguminosas, como é o grão, os feijões, as lentilhas e a soja que passa por fermentação (tofu, tempeh), porque permitem obter a proteína necessária ao organismo e não incluem a gordura saturada presente na proteína animal.
Um remédio caseiro que toda a família pode usar é caldo de vegetais doces, que consiste em colocar numa panela uma porção de couve, outra de abóbora, outra de cebola e outra de cenoura, cortadas aos cubos, cobrir com água e deixar ferver durante 20 minutos. No final, beber o caldo, idealmente no mesmo dia em que o preparado é feito e tomar durante duas semanas, dia sim, dia não.
Externamente, poderia ser benéfico que toda a família fizesse passeios diários e vigorosos de 30 minutos, que ajudariam a melhorar a condição de todos, mas também seriam uma forma de pais participarem na saúde dos filhos e inversamente.
Finalmente, se tiveres possibilidade, sugiro-te que faças um curso breve de culinária no Instituto Macrobiótico de Portugal, onde poderás aprender pequenos truques que por vezes fazem muita diferença no que se refere à confeção de pratos macrobióticos.

Claudia Bravo 

Antes de mais agradeço o facto de o Dr. Francisco Varatojo ter respondido à minha questão! Fiquei muito agradecida e esclarecida!
Fiquei no entanto com uma duvida acerca da implementação do que o Dr. sugeriu.
Os cereais integrais e os legumes à refeição já estão inseridos e sem grandes problemas. O meu problema surge com a tentativa de eliminar (ou pelo menos reduzir) o consumo de carne lá em casa, pois choca logo com dois aspectos: o meu marido e a minha filha (1 ano). O meu marido é atleta de competição e necessita de um grande aporte de proteínas, que actualmente está a ir buscar à carne (essencialmente à carne branca), ovos, etc. Onde é que ele poderá ir buscar a mesma quantidade de proteína sem ser à carne? E terá o mesmo efeito? E à minha filha, também lhe vamos dando carne (em muito pouca quantidade), mas será que lhe podemos eliminar?
Outra coisa que queria perguntar é o que sugere comer entre refeições? Estou habituada a comer de 3 em 3 horas, e como treino todos os dias, tenho sempre muita fome… O que sugere?
Também gostava de saber se tem algum workshop/palestra prevista para a zona de Coimbra. Gostava muito de fazer o curso de macrobiótica, mas em Lisboa é impossível.
Resposta:
Olá Cláudia,
Começo por te sugerir que pesquises na Internet sobre atletas de alta competição que são vegetarianos. 😉 Vais ficar positivamente surpreendida com o que vais encontrar. Isto porque a proteína de fonte vegetal é tão eficaz como a de origem animal, desde que se saiba onde ir busca-la.
Não é de todo necessário os atletas de alta competição comerem carne. Se o teu marido quiser continuar a comer alimentos de origem animal é preferível usar peixe à carne.
É fácil obter proteína completa combinando cereais integrais com leguminosas ou com sementes ou oleaginosas (nem tem que ser na mesma refeição.
Não será por acaso que a generalidade das culturas têm um prato que liga o cereal com a leguminosa, sendo no caso português um dos exemplos o arroz com feijão. Para além das leguminosas, também podes usar a soja, desde que esta tenha sido fermentada, como é o caso do tofu, do tempeh, do miso e do molho de soja (sem açúcar).
E sim, também sugiro que se elimine a carne à tua filha, até porque a carne, tendo proteína, tem também Purinas, as quais, em excesso, causam ácido úrico, e são fonte de gordura saturada, prejudicial ao sistema circulatório, entre outras.
Quanto ao que comer entre refeições, há várias opções. Podes por exemplo procurar a receita de barritas de cereais que a Ana Galvão tem no blog dela e que são boas tanto para ti como para o teu marido ou comer por exemplo uma maçã acompanhada de frutos secos.
Relativamente a palestras/workshops na zona de Coimbra, podes tentar contactar a Cozinha Consciente no telefone 929412000.

Teresa Carvalho 

Tenho um problema de olhos secos há mais de 10 anos (tenho 41 anos) que me provoca ser mais sensível (do que seria “normal”) ao sol, fumos, pós, produtos químicos (de limpeza e outros)… Nunca usei lentes de contacto (nem uso óculos). Deixei de utilizar anticoncecionais como a pílula pois agravavam o problema. Uso um hidratante ocular diariamente. Se me descuido um pouco na sua aplicação a sensação de desconforto, ardor, secura e dor aumentam o que me obriga a recorrer a outros colírios. Facilmente faço conjuntivites e outras inflamações oculares mais complicadas que me obrigam a usar diferentes colírios – líquidos e pomadas (antibióticos e não só). Até à data estas infeções nunca atingiram o eixo de visão. Há 10/11 anos fiz alguns exames para despiste de problemas reumatológicos e de coração, mas aparentemente estava tudo bem. Gostaria de saber de que forma a macrobiótica me pode ajudar.
Gostaria ainda de saber se uma grávida pode consumir produtos regularmente usados em macrobiótica como kuzu, miso, ameixa umebochi,… de forma segura ao longo de toda a gestação ou se há algum que deva evitar. Conhece bibliografia específica de macrobiótica acerca da gravidez?
Muito obrigada!

Resposta:
Olá Teresa,
Para os olhos secos podes experimentar aplicar compressas de chá três anos morno levemente salgado.
No que se refere aos produtos que indicas e o seu consumo na gravidez, podem consumir-se esses produtos, desde que não exagere na quantidade. Deves ter algum cuidado com o excesso de alimentos salgados (o miso e a ameixa umeboshi são um pouco salgados), devendo dar-se preferência a alimentos saudáveis e reconfortantes, como por exemplo fazer creme de cereais de grão (por exemplo, creme de arroz ou creme de millet), abóbora e cebola cozidas ou na sopa, feijão azuki estufado e, por exemplo, maçã cozida como sobremesa. Sopa de soba (esparguete à base de trigo sarraceno também é muito bom no caso de gravidez). Estes são apenas alguns exemplos. O mais importante é que haja muita variedade (saudável) na alimentação da grávida.
Não há praticamente bibliografia atualizada sobre a macrobiótica na gravidez mas a minha mulher está precisamente neste momento a trabalhar num livro para grávidas, bebés e crianças que deve ser publicado ainda este ano.
Para mais informações, existem alguns workshops que fazemos no Instituto Macrobiótico de Portugal sobre gravidez e alimentação para crianças que te poderão dar mais informação sobre esse tema.

Bruno Costa 

Há cerca de um ano resolvi deixar de comer produtos animais e fui retirando-os aos poucos da minha alimentação. Comecei por deixar de consumir leite, seguindo-se a carne e o peixe. Ainda me restam alguns latícinios (porque sou doido por queijo) e os ovos e que, ainda que sejam consumidos em menor quantidade, com o tempo, quero eliminá-los da minha alimentação.
O único fator que me preocupa é o aporte correto de vitamina B12. Li no recente livro da Marta Horta Varatojo que algumas algas possuem quantidades significativas de vitamina B12, contudo alguma outra literatura parece referir que a mesma não é bem absorvida pelos humanos.
Uma vez que na alimentação macrobiótica também se aconselha o reduzido consumo de produtos animais, gostaria de questionar o Dr. Francisco Varatojo sobre a melhor forma de colmatar a necessidade de B12.
Resposta:
Olá Bruno,
A questão da vitamina B12 em regimes totalmente vegetarianos é realmente uma consideração.
Apesar de existirem alguns produtos vegetais como as algas que contêm alguma B12 muitas vezes esta não é bem absorvida, pelo que é possível desenvolver carência de B12 com uma prática totalmente vegan (ou predominantemente vegan).
Apesar de existirem vegans há muitos anos que não apresentam quaisquer deficiências assim como comedores de carne em grande quantidade que têm deficiências sérias. A questão não é assim tão linear e passa muito também pela capacidade do organismo de sintetizar e assimilar B12.
Assim, sugiro que tenhas uma prática essencialmente macrobiótica vegetariana com bastante variedade de métodos culinários e uso regular de alimentos fermentados. Faz um exame à B12 uma vez por ano para saber como estão os níveis da mesma. Se estiverem muito baixos (perto dos valores mínimos) aconselho-te a fazer suplementação de B12 ou comer algum produto animal sob a forma de peixe.
Esperando ter sido útil,

 

Isabel Silva 
Antes de mais, muitos parabéns pela iniciativa!… Um blog bem útil e elucidativo, sem dúvida! J E, desde já quero agradecer ao Dr. Francisco Varatojo pela atenção e disponibilidade que me possa dispensar.
A minha questão prende-se com o seguinte:
Sou vegetariana há aproximadamente 4 anos, tenho 43 anos e, no geral, sinto-me bem psicológica e fisicamente. Estou minimamente informada acerca da problemática, que irei expor de seguida, pelo que tento fazer uma alimentação equilibrada… porém, parece-me que não há meio de me sentir estabilizada.
Passo a explicar então!
Acho que sofro, efetivamente, de anemia crónica… penso até que desde sempre! Nada tem, pois, a ver com o facto de me ter tornado vegetariana. Lembro-me que nem sempre tinha energia, vitalidade…! E percebo agora o porquê da minha dificuldade de memorização nos tempos de estudante!
Embora não me sinta mal, apenas na altura do período menstrual em que me sinto com poucas forças e sem iniciativa ou ânimo, receio que futuramente possa ter problemas de saúde graves. Acredito que a minha anemia surge em consequência do fluxo menstrual mais intenso, nos dois primeiros dias. E, após o período, no intervalo entre as menstruações, o organismo não deve chegar a recuperar.
Tento, por isso, fazer uma alimentação rica em ferro, uma alimentação rica em vegetais de folha verde, brócolos, salsa, beterraba,… como leguminosas e também escolho alimentos ricos em Vit.C (fruta cítrica e tomate) para ajudar a fixar o ferro. E, sei que devo evitar comer alimentos ricos em cálcio, porque o cálcio é um inibidor natural da absorção do ferro, tais como oleaginosas, sementes, tofu, cereais (em geral), ou beber vinho, juntamente com os alimentos ricos em ferro numa refeição.
Apesar de todos estes cuidados algo me escapa e acabo por concluir que o problema está em mim… ou melhor, no meu organismo, que simplesmente não absorve o que necessito!… E isto preocupa-me imenso!!
Será que tenho que começar a suplementar B12, ferro e ácido fólico até ter os níveis de ferro estáveis? Não gostaria de ficar dependente destes produtos… Consumo ovos biológicos (também só os como porque posso adquirir ovos caseiros)…
Dr. Francisco, é possível contornar esta minha carência apenas com um plano alimentar específico?!
Tendo presente a sua experiência… peço-lhe, p.f., que me ajude a traçar então um plano alimentar, isto é, a saber quais os melhores ingredientes que devo incluir semanalmente nas minhas refeições diárias.
E, qual o procedimento ideal para ajudar o meu corpo a aproveitar todos os nutrientes de que necessita, especialmente no que toca às carências que referi?
Grata uma vez mais pela ajuda!

Resposta:
Olá Isabel,
No que se refere à anemia, é possível que o ferro consumido não esteja a ser corretamente assimilado. Assim, para favorecer a condição intestinal, sugiro que tomes sopa de miso, consumida diariamente, ou outros produtos com fermentação de boa qualidade, como molho de soja de boa qualidade (sem açúcar) ou picles às refeições (sem adição de açúcar ou vinagres). Para fortalecer o intestino também é importante incluir cereais integrais (em grão) na alimentação, como sejam o millet, o arroz integral ou a cevada (que fica muito bem na sopa. Quanto às leguminosas, as mesmas devem ser demolhadas (por cerca de 8 horas) e para serem melhor digeridas, devem ser cozinhadas com alga kombu. No teu caso as lentilhas são particularmente boas.
Para anemia é essencial comer muitas folhas verdes como nabiças, grelos, agrião, couve portuguesa, etc. O uso de vegetais salteados é também uma boa ajuda.
Se o fluxo menstrual for muito intenso isso pode realmente contribuir para uma condição mais anémica mas uma prática alimentar adequada deverá ajudar a melhorar esta condição.
Para a anemia podes também usar chá de kuzu. O chá consiste em adicionar a uma chávena de água, uma colher de chá de kuzu e um pouco de polpa de ameixa umeboshi. Coloque ao lume e deixe cozinhar em chama baixa, mexendo sempre, até engrossar. No final pode adicionar umas gotas de molho de soja.
Deve ser bebido quente, duas a três vezes por semana, durante duas semanas.
Por questões de tempo e espaço não me é de todo possível deixar-lhe aqui planos alimentares ou fazer recomendações mais específicas. Para tal, teria que te ver numa sessão de aconselhamento.
Desejo-te as maiores felicidades

 

São Mendonça 

Eu sou seguida a vários anos por vários médicos (desde gastro, médicos família) por ter a doença de Crohn. A última médica onde estou a ser seguida (hospital Cascais) diz que não sabe bem se o que tenho é Crohn. O facto é que tenho imensas dores de estômago (com nervos e ansiedade pioram), as vezes fico com a barriga tão inchada que pareço estar com 6 meses de gravidez, não sei o que deva comer visto que o q é integral faz-me mal assim como vegetais.

Será que a cozinha macrobiótica pode ajudar? Agradeço que envies a minha questão ao Francisco Varatojo. Posso até marcar uma consulta.

Muito obrigada e sucesso nesta nova etapa.

Resposta:
Olá São,
Indico de seguida algumas sugestões que ajudam a melhorar o intestino, independentemente de ter ou não doença de Crohn.
Assim, são de evitar todo o tipo de farinhas de forno, como sejam o pão, as bolachas, ou as pizas, entre outros. No entanto não precisa de eliminar os cereais integrais, muito pelo contrário. Os cereais integrais devem ser incluídos na alimentação, desde que sejam em grão, devendo ser demolhados por cerca de 3 horas e cozinhados com alga kombu até ficarem bem macios.
Antes das refeições deverá comer sopa de miso (pode incluir cenoura e cebolinho, este último antes de servir) principalmente de cevada não pasteurizada.
À refeição deverá incluir muitos vegetais verdes de rama, bem como pickles naturais (sem açúcar adicionado e nem qualquer tipo de vinagre). Os picles pode faze-los em casa ou é possível encontrar picles de chucrute, que respeitam as características, nas lojas de produtos naturais e/ou biológicos.
Deve eliminar todo o tipo de carnes (brancas e vermelhas) bem como os estimulantes (açúcar, café, chocolate, álcool, …) e os lácteos (que atacam bastante o intestino).
Por substituição das carnes, pode comer peixe de carne branca duas a três vezes por semana, assim como algumas leguminosas, que devem estar de molho por 8 horas e ser cozinhadas com alga kombu, para favorecer a sua digestão.
Um remédio caseiro para o intestino consiste em fazer chá de kuzu duas a três vezes por semana. O chá de kuzu consiste em incluir a uma chávena de água, uma colher de chá de kuzu e um pouco de polpa de ameixa umeboshi. Coloque no lume e depois de ferver, apague, inclua meia colher de chá de molho de soja (sem açúcar) e beba quente. O kuzu é muito benéfico ao intestino.
Finalmente, ajudaria se tivesse uma prática desportiva moderada, como por exemplo andar por 30 minutos vigorosamente, todos os dias. A caminhada é extremamente benéfica para os intestinos e conjugada com uma boa alimentação pode fazer mesmo a diferença.

 

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