Há quatro filmaços sobre mulheres,  nomeados nos óscares deste ano. Ou visto de outra forma, há quatro filmes sobre mulheraças, nomeados nos óscares deste ano.  Se quiserem, agora, iniciar o ciclo de cinema das fitas que podem ganhar um óscar no fim deste mês, podem perfeitamente começar por estes quatro. Aliás, eu própria me vou permitir o abuso de vos sugerir qual a ordem para os ver  (e comprovarão, pela argumentação, que a ordem não é ao calhas).

 

1- Joy – Seria logo o primeiro, por ser um filme de que, acredito, todos vão gostar, pois junta divertimento, com uma óptima dinâmica de argumento e uma dose considerável de  maluquice (que, inacreditavelmente, aconteceu na realidade) . A Jennifer Lawrence, adorável neste papel, é Joy, mãe de dois filhos, e pilar de uma família completamente, digamos, “exótica”. Joy trabalha, cuida dos miúdos, da mãe e do pai, do ex-marido,  medeia brigas entre os membros da família (sem, miraculosamente,  endoidecer), e sonha com inventar algo que faça a diferença na vida das pessoas e, especialmente, na paupérrima conta bancária dela. E eis que, um dia, ela cria a esfregona que qualquer dona de casa gostaria de ter. A partir daí Joy inicia uma viagem para defender o sucesso da sua ideia, tarefa hercúlea tendo em conta a insanidade que a rodeia e o nulo conhecimento sobre o mundo dos negócios e  o que é a simples patente de um produto.  No meio desta corrida pela sobrevivência levantam-se questões sobre o que devemos permitir à família e até que ponto é ela importante, o quão trapaceiro se pode ser no mundo do comércio e até onde vai alguém que acredita na sua criação (Ainda esta semana disse a alguém, que estava prestes a desistir do projecto da sua vida após a segunda tentativa: “Vê o Joy, e depois pensa!). Posso dizer-vos que tive vontade, várias vezes, de, sendo possível, me levantar e abraçar a Joy. Já agora, ela é  uma mulher que existe na vida real, e que, hoje em dia, tem um império de objectos criados por ela.

O trailer de “Joy “está aqui 

 

2- Depois desta mostra de perseverança e força da natureza chamada Joy passaria para o Carol. E porque? Porque o Joy já nos deu a boa disposição e o estofo que necessitamos para ver o novo filme da Cate Blanchet. Eu, pelo menos, tive momentos em que me vim abaixo com esta história de amor entre duas mulheres que tantas dificuldades tem em vingar.  Quer dizer, calma, não é coisa para provocar desgosto, mas há ocasiões em que o, quase, beco sem saída de Carol, e a hipótese dela perder a filha pela vingança de um marido despeitado, me fez minguar. Vale a pena este pequeno sofrimento, pois Carol é um filme altamente delicado e frágil e ao mesmo tempo fortíssimo, por defender o amor e a necessidade por respeitar a essência de cada um (neste caso, cada uma). Para ver Carol é preciso predisposição e tempo, mas vale a pena, asseguro.

O trailer de “Carol” está aqui 

3- Terminado o Carol parece-me que se necessita aqui de uma injecção de acção e aventura, certo? Proponho, agora, Madmax: Estrada de fúria, aquele que todos apontam como o grande campeão dos óscares deste ano. Um filme onde a protagonista se chama “Imperatriz Furiosa” já leva pontos a favor (Sim, na minha casa, quando algo me endoidece, gosto que me chamem assim…) A Furiosa é  Charlize Theron, uma das mulheres mais belas do cinema, aqui sem pudor de estar suja de óleo até ao tutano, de guiar um camião de guerra e de liderar um gang com quem pretende salvar da escravidão as mulheres da sua comunidade. O paraíso é a sua terra natal, é para lá que a Imperatriz se dirige. Se chega, não vos digo. Aviso que há aqui imagens violentas e situações extremas, mas o ritmo do filme é tão alucinante que nem há tempo de pensar muito no assunto.  E depois temos as cores, os planos e as sequências, tudo magnífico. A imaginação para os nomes das personagens é sublime e os veículos são incríveis (há listas na internet com os carros mais cool e criativos do filme). E para além disto tudo, e esta é a parte assustadora, o filme recorda que a água é um bem essencial que já esteve mais longe de esgotar.

O trailer de Madmax está aqui 

4- E para o fim da lista proponho  “Brooklyn” um filme completamente diferente do anterior mas que, surpreendentemente, tem com ele uma ténue ligação, já veremos qual. Da lista é o que mais sossego promete e é por isso que me parece óptimo para ver depois do Madmax.   Ora, temos uma jovem irlandesa chamada Eilis , interpretada pela esplêndida Saoirse Ronan (pronuncia-se, já agora, “seershia”…fui investigar), que tem que abandonar a mãe, a irmã e o seu país para trabalhar em Brooklyn. E a história é precisamente a viagem de Eilis, o seu primeiro contacto com a vida fora da pequena vila, o seu sucesso nos estudos, e a história de amor com um pretendente italiano que, em três tempos, a convence a casar com ele (ahh, estes italianos, tão convincentes!). E até aqui estamos a ver uma bonita novela em forma de filme e que tudo indica terá o seu final feliz. Só que, após a morte da irmã, Eilis tem de regressar a casa e é confrontada com a escolha entre a sua nova vida e  o homem com quem casou em Brooklyn (e que, neste momento do filme,  todos adoramos) , ou o peso das recordações,  espectativas da família e o aconchego do regresso à nossa terra (e é aí que este filme se cruza, subtilmente, com Madmax, na forma como “casa” é a segurança e felicidade plena). Não há aqui grandes desvarios, nem montanhas russas de emoções, mas Brooklyn é um dos meus favoritos pela entrega da  Saoirse Ronan,  presente em, senão todos, quase todos os planos do filme, e o que podem significar as saudades da nossa terra e zona de conforto (eu sofro muito disso de cada vez que saio do meu vilarejo).

O trailer de Brooklyn está aqui 
A minha especialidade não é cinema, ok? Tenho um senhor em casa que é,
deveras, conhecedor. Mas desfrutei tanto destes quatro  filmes e apreciei tanto serem, todos eles, protagonizados por mulheres, que decidi partilhar o gosto convosco. Espero que usufruam, também.

Ahh, e já agora, o desenho também não é a minha especialidade, também compete ao senhor cá de casa. Mas também me apeteceu partilhar o bosquejo (até porque me diverti a fazê-lo)