Aqui seguem as respostas do Francisco Varatojo às vossas questões. Desculpem o atraso, é suposto as dúvidas ficarem esclarecidas de 15 em 15 dias mas o Francisco, para além de ter uma das agendas mais preenchidas que eu já ví na vida, tem o cuidado de analisar cada uma das vossas mensagens com todo o cuidado, disso podem ter a certeza. De todas as formas quero recordar que todas as recomendações estão a ser dadas sem o Francisco Varatojo vos ter visto, portanto é uma coisa abrangente sem ter em conta o resto da vossa condição física e ISTO É MUITO IMPORTANTE: Estas recomendações não invalidam uma visita vossa ao médico ou outros tratamentos se o acharem necessário.

As perguntas que não aparecem aqui serão respondidas na próxima fornada, combinado? Já agora quero lembrar que o Francisco, Varatojo é o director do Instituto Macrobiótico de Lisboa (onde dá consultas diárias) e tem muitos livros publicados sobre a cura através da alimentação.

Então vamos lá:

ANA PAULA

Olá Ana
Parabéns pelo seu blogue gosto da forma simples e natural de como explica as suas receitas e acho que tenho muito a aprender. Um grande beijinho.
Gostaria de perguntar ao Francisco Varatojo o que me aconselha a mudar nesta minha nova fase da vida:
Tenho 52 anos e estou na pré menopausa tenho um 1,50 de altura e peso 72 quilos assim como um perímetro abdominal de 100 cm que me ficou de uma gravidez de gémeos, sou muito sedentária, e tenho muito dificuldade em emagrecer sei que nesta fase é muito complicado de o fazer mas sei que é possível, tenho uns triglicéridos de 260 e é a única coisa alta nas minhas análises de rotina, isto já se mantém desde os meus 30 anos tomo medicação para os baixar mas não tenho conseguido grande coisa e estou a pensar deixar de os tomar, não tenho problemas de tiroide nem colesterol nem diabetes mas já estiveram uma única vez a 110. Que conselhos é que me pode dar sei que tenho de fazer mudanças na alimentação mas ando muito baralhada já fui a uma nutricionista já me aconselhei bastante já mudei muito a minha alimentação mas somos 5 adultos cá em casa e torna-se difícil fazer comida para mim e para o resto da família pois esta gente adora comer. Já reduzi o consumo de carne como mais legumes e vegetais quanto ao peixe por ser um bocado mais caro e grande parte de aquicultura não compro tanto. O que me pode aconselhar por onde é que eu posso começar a mudar, eu gosto de tudo menos de açorda
Beijinho e desculpem-me por este testamento.

Resposta:
Olá Ana Paula,
A menopausa representa uma fase em que a mulher sai do periodo de maternidade, para entrar numa fase mais contemplativa, mais harmoniosa da sua vida (as crianças são maravilhosas, mas também dão muitas preocupações, como é sabido) e pode ser vivida de forma muito bonita.
Assim, deves reduzir substancialmente o consumo de alimentos que criem tensão no corpo – ou seja, todo o topo de carnes (brancas e vermelhas), os estimulantes (açúcar, café, o chocolate) e os lacticínios. E tentar limpar os excessos consumidos ao longo dos anos.
Para isso, sugiro o consumo, a todas as refeições, de vegetais verdes, de cereais integrais e de leguminosas (estas últimas, por substituição das carnes brancas e vermelhas). No caso das leguminosas, são particularmente boas o feijão azuki e o feijão de soja preto (demolhar por 8 horas e cozinhar com alga kombu). Também podes usar peixe branco duas a três vezes por semana.
Um remédio caseiro, a tomar diariamente na primeira semana e depois ir espaçando, é chá de nabo e cenoura ralados pela manhã, em jejum, com duas gotas de molho de soja de boa qualidade (sem açúcar, ver rótulo). O chá de cevada torrada também é benéfico (torrar a cevada e fazer o chá ou compra-la em lojas de produtos naturais ou biológicos e no final acrescentar duas gotas de molho de soja).
Quanto aos triglicéridos, são principalmente afetados pelo açucar e pelas farinhas brancas, encontradas no pão e na massa branca refinada, pelo que as deves evitar. Se quiseres comer pão, sugiro que o faças muito ocasionalmente e preferencialmente escolhendo pão com farinhas de boa qualidade, os quais podes encontrar nas lojas de produtos naturais e biológicas.
Finalmente, a acupuntura costuma ajudar na fase da entrada na menopausa, assim como abordar a menopausa de forma positiva – infelizmente, no ocidente, por vezes existe uma conotação negativa associada à mesma.
A vida está a dar-te a oportunidade de entrar numa nova fase, aproveite-a!
Felicidades

 

DANIELA GONÇALVES

Olá, tenho 39 anos, não tenho problemas de peso e sou aparentemente saudável. Vivo diariamente um drama familiar que não sei como resolver? Sou mãe de 3 filhos, duas meninas (7 e 8 anos) magras mas com hipercolesteremia aparentemente genética, e um rapaz com 16 anos, que adora doces, carne e não come legumes a não ser na sopa. O meu marido é obeso e também sofre de colesterol. Tento proporcinar-lhes uma alimentação saudável mas queria ir mais além na aproximação a macrobiótica. No entanto todas as refeições q preparo nesta variante, são rejeitadas, sejam pratos principais, lanches ou pequenos-almoços. Sinto-me frustrada por não conseguir cativar o interesse deles por este tipo de alimentação. O que me sugere?
Grata pela atenção

Resposta:
Olá Daniela,
Entendo a tua preocupação, mas para reduzir o colesterol elevado importa mesmo eliminar o consumo de gorduras densas (lacticínios e carnes, tanto brancas como vermelhas) e passar a consumir alimentos que favoreçam a limpeza do sangue, como vegetais de rama verde.
Um primeiro passo começa pela compra de produtos alimentares que fazes para casa. Imagino que sejas tu quem faz as compras para o lar? Se sim, sugiro que leias os rótulos e que evites comprar produtos demasiado processados e tudo o que incluía açucares refinados adicionados. Se em casa não houver à disposição, pelo menos aí ninguém os come, o que já é um bom começo.
Tenta eliminar os laticínios e derivados (em especial o queijo e as manteigas) e por substituição das carnes, utiliza leguminosas, em especial as lentilhas. Também podes incluir peixe no prato, mas com moderação, duas a três vezes por semana, optando por peixe branco e sem ser de viveiro, como a pescada, o linguado, a truta ou muitos dos outros peixes magros existentes em Portugal.
Os cereais integrais também são muito importantes e devem ser comidos numa base diária. Se vires que a tua família os rejeita, começa por colocá-los na sopa, para garantir que todos os consomem. Mas era importante ir incluindo também no prato, por substituição da batata e das massas, que são refinadas. Por exemplo, em empadão, o millet resulta muito bem.
No caso dos alimentos que ajudam a limpar as gorduras do sangue, os vegetais verdes são muito bons e devem aparecer sempre no prato, escaldados ou ao vapor. Um remédio caseiro que costuma ajudar nestes casos é chá de cenoura e nabo ralados, com duas gotinhas de molho de soja (de boa qualidade, sem açúcar adicionado). Deve ser tomado, em jejum, todos os dias na primeira semana e ir espaçando na semana seguinte. Chá verde com umas gotas de vinagre de arroz também é bom mas não deve ser tomado diariamente.
O exercício físico ajuda muito a reduzir o colesterol e já que se trata de uma questão que afeta a maior parte da família sugiro uma caminhada em família, em passo rápido, diária, após o jantar. Pela saúde das crianças, julgo que todos se comprometerão. Outra forma será inscreveres as tuas filhas num desporto de que elas gostem.
Finalmente, sobre o ‘não conseguir cativar o interesse deles’, sugiro um curso breve de iniciação à culinária macrobiótica, o próximo a ocorrer já no final de novembro no Instituto Macrobiótico de Portugal. Isto porque, para quem está a começar, permite obter pequenos truques que fazem maravilhas num prato, para além de aprofundar um pouco melhor o que se entende por alimentação saudável.
Felicidades
PAULO COELHO
Olá Ana,
Antes de mais parabéns por mais esta iniciativa que é blog e pela partilha das tuas experiências, preocupações e soluções.
A questão que me leva a escrever, está relacionada com as crises de aftas e candidíases que afetam a minha mulher com bastante frequência. 40 anos, saudável, mãe, com uma alimentar “normal” que faz tratamentos farmacológicos com regularidade e que não são uma solução, porque apenas tratam o efeito, mas não a causa. Gostaria de conhecer a opinião da Macrobiótica, em particular, do Dr, Francisco Varatojo?
O Meu Obrigado. Paulo

Resposta:
Olá Paulo,
A candidíase ataca quando o sistema imunitário está em baixo e na medicina chinesa está ligada a fragilidades do baço e do fígado. Ora as aftas também se podem dever ao fígado, pelo que é provável que tratando um caso, o outro também se resolva. Os tratamentos farmacológicos ajudam no tratamento dos casos extremos, mas mesmo nesses, se não for tratada a origem, acabam por invariavelmente retornar.
Assim, na macrobiótica, primeiro é muito importante evitar os alimentos que favorecem o desenvolvimento da candidíase. O açúcar (incluindo-se aqui a stevia, o aspartame e a sacarina), as farinhas refinadas e os fermentos artificiais (incluídos no pão ou nas massas, por exemplo) devem ser totalmente eliminados, assim como o chocolate. A ingestão de bebidas com álcool, o vinagre e alimentos fritos também devem ser substancialmente reduzidos numa primeira fase.
Já para favorecer um sistema que combata a candidíase, sugiro que a tua parceira coma, diariamente, durante uma semana, sopa de miso (preferencialmente de cevada, não pasteurizado) pela manhã e em todas as refeições principais, cereais integrais (especialmente trigo-sarraceno e soba – esparguete desse mesmo cereal) e legumes, como a cenoura, a bardana e o nabo. E acrescentar picles de boa qualidade ao final da refeição (sem açúcar – os de chucrute costumam ser uma boa opção).
Em termos de leguminosas, o feijão azuki e o feijão de soja preto (demolhar por 8 horas e cozinhar com alga kombu) são os mais indicados. Um remédio caseiro bom para a candidíase consiste em beber chá de feijão azuki – basta juntar água e feijão e deixa cozinhar por 20 minutos, incluindo, no final, duas gotas de bebida de soja de boa qualidade (ver rótulo, não deve ter açúcar adicionado, ao contrário da generalidade dos molhos de soja disponibilizados nos restaurantes orientais) antes de servir o chá. Beber durante uma semana seguida, todos os dias, e depois ir espaçando.
Se ela substituir a carne pelas leguminosas e pelo peixe branco (duas a três vezes por semana), tanto melhor, porque o corpo não vai acidificar tanto e as melhoras tendem a ser mais rápidas.
Externamente, tradicionalmente usa-se iogurte natural (sem adição de açúcar ou sabores) localmente, ou a água de um alho demolhado durante a noite. De acordo com a macrobiótica, ela também pode fazer um banho de assento (consiste em ferver alga aramé com umas gotas de limão e uma pitada de sal, coar a água, colocar num alguidar e sentar-se no preparado, juntando água quente até que fique coberta até aos rins) e irrigação com chá de três anos.
Finalmente, nota que tanto a candidíase como as aftas são negativamente afetadas pelo stress. Assim, seria bom que conversassem sobre o que pode estar a preocupar a tua parceira e, dependendo da questão em causa, fazerem um programa a dois e/ou ela encontrar uma atividade diária que lhe permita libertar o stress, como ioga, ou outra.
Quanto à adaptação às sugestões acima mencionadas, se ambos a adotarem (exceto o banho de assento e da irrigação, dos quais estás dispensado), não só poderá ser mais uma experiência partilhada, como tenho como certo que verás, também em ti, melhorias na saúde.
Felicidades aos dois

CLAUDIA CABAÇO
Olá,
Parabéns pelo blog!
Nao sou macrobiótica a 100%, porque ainda nao consegui fazer a mudança la em casa, mas aos poucos temos vindo a mudar muitos habitos alimentares, no sentido da macrobiótica.
Tenho uma filha de 19 meses que nasceu prematura (34 semanas), mas muito pequenina para a idade gestacional. Tem tido muitas dificuldades em crescer e engordar. Nao ajuda o facto de ela nao ter interesse na comida. De momento pesa 7900kg e mede 75cm.
Existe a possibilidade de ter o Sindrome de Silver Russel, mas ainda não está confirmado.
Gostaria de saber que tipo de combinações poderei fazer nas sopas dela, de modo a ajuda-la a engordar mais. De modo a que o pouco que come seja saudavel, mas muito nutritivo e lhe de um aporte energetico maior.
Gostaria ainda de saber que tipo de leite vegetal é mais recomendado para ela. De momento esta a beber os leites de crianças comerciais…mas gostaria de mudar.
Obrigada e beijinho

Resposta:
Olá Cláudia,
O desenvolvimento de cada criança é único, ainda que também dependa da estrutura corporal dos pais. Eu tenho quatro filhos e são todos como eu… pequenos como a sardinha, mas muito bem-dispostos (vou ter problemas em casa se eles lerem esta passagem…).
Nota que ao ter nascido prematura, a tua filha está a nascer cá fora o que devia ter continuado a nascer na barriga e, portanto, é natural que seja um pouco mais pequenina do que outros bebés da mesma idade. Se ela tiver de ser de estatura alta, há-de, com o tempo, lá chegar. Assim, o mais importante é que verifiques se é uma bebé com energia, feliz, atenta aos estímulos que lhe dás.
No caso da alimentação, até aos dois anos não deve ser dado qualquer alimento com sal aos bebés, já que, de acordo com a abordagem oriental, prejudica o crescimento da criança.
Recomendo-te que faças creme de arroz e aveia, que consiste em juntar uma taça de arroz integral, metade de aveia e oito taças de água, com uma tira de alga kombu, cozinhadas por duas horas na panela de pressão ou quatro horas numa panela normal. Depois, passar tudo num passe-vite, o mais moído possível, se ela ainda não tem dentes. Pode-se substituir a aveia por outro cereal à escolha.
Para alimentos entre refeições, dá preferência ao creme de maçã com abóbora (cozinhadas por 30 minutos e reduzidas a puré no final), ou a gelatina de maçã, feita a partir de alga agar-agar, maçã e geleia de arroz (em vez das gelatinas de compra, tendencialmente muito industrializadas).
Os produtos indicados, como as algas kombu e agar-agar e a geleia de arroz podem ser encontrados nas lojas de produtos naturais ou biológicos.
De todo, não recomendo leites comprados, mas antes bebida de cereais feitas em casa, misturando-se dois cereais de cada vez e sendo feitos de forma semelhante aos cremes, mas com mais água.
Felicidades

 

ANA OLIVEIRA 

Olá, estou de uma forma gradual, a introduzir novos alimentos no meu dia à dia, para alterar a minha alimentação. A quinoa é um dos meus novos alimentos, gosto muito mas tive de deixar de consumir pois empre que a comia e normalmente quando adicionava nas minhas saladas ficava com uma dor de estômago enorme. Existe alguma maneira de cozinhar a quinoa de forma a que seja mais tolerante? Obrigada e votos de bom trabalho.–

Resposta:
Olá Ana,
Para uma melhor digestão da quinoa, sugiro que a demolhes por duas horas antes de a cozinhar e que a cozinhes com uma tira de alga kombu. Podes encontrar a alga nas lojas de produtos naturais e biológicos.
No entanto, nota que atualmente não recomendo muito o consumo de quinoa por questões éticas. Com o aumento acentuado do seu consumo, o seu preço aumentou tanto que, neste momento, os povos indígenas que originalmente a cultivavam não têm possibilidade de a comprar.
Para além disso, a quinoa é um cereal que deve ser comido principalmente no verão, já que tende a arrefecer o corpo. Estando o Inverno à porta, isso não é o mais desejável.
Assim, recomendo-te que substituas a quinoa por outros cereais na salada, como o arroz integral, o millet, a cevada e, quando chegar o inverno rigoroso, pelo trigo-sarraceno (aquece o corpo e fica bem em saladas). De vez em quando, também podes usar nas saladas bulgur ou couscous. O millet é particularmente bom para o estômago.
Finalmente, nota que é possível que as dores de estômago resultem de uma fraca mastigação, pelo que sugiro que mastigues muito bem (é aqui que começa a digestão) e que tentes comer sentada, sem pressa e o mais calmamente possível, por forma a facilitar o processo digestivo.
Felicidades
MARIA JOSE 

Olá Ana!
Sou hipertensa e tomo medicação para a controlar. Tenho cuidado com a ingestão de sal e de há um ano a esta parte, tenho alterado a alimentação. Consumimos mais vegetais, sementes, frutas e reduzimos (bastante) o consumo de carne. A minha pergunta é, através dos alimentos, será que consigo controlar a tensão arterial?

Resposta:
Olá Maria José,
Pela minha experiência, a alimentação ajuda em muito a melhorar questões relacionadas com o sangue, nas quais se inclui a tensão arterial.
Foi mesmo um bom passo reduzires o consumo de carne, mas a minha sugestão é que a elimines totalmente (ou que a consumas só em dias de festa, no máximo). Deves substituir as carnes por leguminosas, em especial o feijão vermelho (demolhado por cerca de 8 horas e cozinhado com alga kombu) e também podes consumir peixe branco, em pequenas quantidades, duas a três vezes por semana e que não seja de viveiro. Os lacticínios também devem ser eliminados, devido ao excesso de gordura que incluem e que acabam inevitavelmente por influenciar o sangue.
Para favorecer uma melhor tensão arterial sugiro que comeces com um pequeno-almoço à base de polenta (um cereal elaborado a partir do milho), muito simples de fazer e saboroso, ao qual podes acrescentar uma compota caseira, adoçada com geleia de arroz em vez do açúcar refinado (o qual deves eliminar da alimentação, assim como a stevia, o aspartame e a sacarina).
As refeições principais devem incluir sempre cereais integrais e legumes, dando preferência aos verdes amargos (grelos, couve portuguesa, rama da cenoura, nabiças, agrião, …).
O álcool, as especiarias (substitui por ervas aromáticas) e os pratos demasiado condimentados também não são boa opção.
Alguns remédios caseiros propícios à hipertensão são o chá de alga kombu (muito benéfico) e o chá de cenoura com rábano ralados, devendo ser tomados durante uma semana, todos os dias e depois ir alargando a toma. O chá verde também é bom, mas não deve ser tomado todos os dias. Também podes fazer rama de cenoura com agrião, salteada em pouco óleo ou no vapor, e acrescentar ao prato.
Antes de dormir, sumo de maçã morno ou ainda sumo de melão cozinhado (este ultimo mais no verão, época do melão) também ajudam.
Relativamente ao sal, a moderação é importante, mas também utilizar sal de boa qualidade, integral e não refinado, porque ao sal refinado são incluídos outros elementos não muito benéficos.
Se não houver questões oncológicas, compressas de gengibre nos rins também costumam ajudar.
Finalmente, é importante criar ritmo na vida, como comer a horas, dormir a horas, entre outras. Fazer exercício também ajudaria, como ioga, tai chi, chi kung e outros que induzam ao relaxamento.
Felicidades
MC
A ti Ana obrigada pela ajuda que me deste sem saberes…
Ao Dr peço o favor de me ajudar: o meu intestino funciona poucas vezes/semana, mesmo c 1 kiwi em jejum/dia. E quando consigo que funcione sinto alívio por dentro mas a barriga distende como um balão e demora a ir ao sitio. As fezes são pequenas bolas e mesmo tendo mudado a alimentação desde ha 2 semanas cortando na carne e acrescentado saladas macrobiótica não vi ainda resultados. Agradeço a atenção. Cumprimentos e agradecimentos aos dois

Resposta:
Olá MC,
Sugiro que evites o kiwi e todo o tipo de frutas tropicais porque arrefecem o corpo e, para além disso, têm um impacto ambiental desnecessário, quando temos tanta fruta da época e local à nossa disposição. Substitui-o por maçã, preferencialmente cozinhada em pouca água até ficar macia. Ou melhor ainda, faz gelatina de maçã usando agar-agar (a gelatina de compra tende a ser muito industrializada e não surte o mesmo efeito), o que ajuda a libertar o intestino.
Para favorecer uma boa condição intestinal, nem demasiado presa, nem demasiado solta, recomendo que comas sopa de miso com alga wakame e vegetais verdes pela manhã, todos os dias, durante uma semana, e depois passes a um registo, dia sim, dia não.
Os cereais integrais também são importantes, devendo aparecer em todos os pratos principais e ser cozinhados até ficarem muito macios, devendo ser temperado com gomásio (uma mistura de sementes de sésamo e pouco sal, triturados). Os vegetais também devem aparecer em todas as refeições, em especial os vegetais verdes de rama, regados com duas gotas de óleo de sésamo.
A carne deve ser totalmente eliminada, já que o corpo humano tem dificuldade em digeri-la, seja a branca ou a vermelha, e esta fica tipicamente alojada nos intestinos. Deves substitui-la por leguminosas e duas a três vezes por semana, por peixe branco que não seja de viveiro. No que se refere às leguminosas, feijão azuki muito bem cozinhado é muito bom para a condição que descreves.
Também deves evitar as farinhas de forno, como as bolachas, pão, pizas, porque prejudicam o intestino, tendendo a contraí-lo.
O exercício físico também é um ótimo descongestionante físico, ajudando muito a movimentar o intestino e a facilitar um bom funcionamento do mesmo. Portanto, seria bom praticares algo em que sintas que movimentas muito o corpo, que te canse, como por exemplo, correr ou fazer natação, entre outros.
Felicidades
BIA 

Olá Ana!!!! Parabéns pelo fantástico blog!!!! A minha questão é a seguinte… sofro de infecções urinárias recorrentes. O que é que a macrobiótica pode fazer para prevenir este meu problema?

Resposta:
Olá Bia,
As infeções urinárias são relativamente fáceis de tratar com a alimentação macrobiotica.
Assim, sugiro-te que, durante uma semana, comas sopa de miso de boa qualidade diáriamente. Outros remédios caseiros que favorecem a bexiga são o chá de barbas de milho, o chá de nabo ralado (fervido em dois minutos, com duas gotas de molho de soja de boa qualidade – sem adição de açúcar) ou ainda o chá de daikon com alga nori e gengibre. Escolhe um deles e toma-o diariamente durante uma semana e na semana seguinte começa a espaçar a toma.
Também importa evitar os alimentos que acidificam o sangue e ajudam a manter a infeção. São eles os estimulantes, como o açúcar (também o aspartame, a sacarina e a stevia), as bebidas com álcool, o vinagre, o café, o chocolate, entre outros. E as carnes (brancas ou vermelhas) também devem ser eliminadas, assim como as farinhas refinadas que também acidificam o sangue.
Para reduzir a infeção, importa tornar o organismo mais alcalino, o que se consegue através do consumo de cereais integrais (especialmente trigo-sarraceno, em grão ou em esparguete – soba) e de legumes a todas as refeições principais. Os legumes que mais poderão favorecer a bexiga são a bardana, a cenoura e o nabo e podes usar como condimento um produto chamado tekka (benéfico à bexiga) e que encontras à venda em lojas de produtos naturais e biológicos. A carne deves substitui-la por leguminosas, em especial o feijão azuki e o feijão de soja preto (demolhar por 8 horas e cozinhar com alga kombu) e por peixe branco (duas a três vezes por semana).
Em termos de tratamentos externos, podes fazer compressas de gengibre nos rins, se não houver questões oncológicas.
Finalmente, nota que quando os níveis de stress aumentam, há uma tendência maior para se desencadear uma infeção urinária, sendo que talvez fosse favorável verificares se existem fontes de stress na tua vida que possas melhorar de forma a reduzir eventuais stresses. Procurares atividades que te descontraiam, como o ioga, passear num jardim diariamente, entre outras, também poderão ajudar a favorecer o teu sistema.
Felicidades

 

ANA CARAMELO 

Olá! Sou a Ana Caramelo e tenho desde a adolescência acne, como 31 anos ela cá continua como se ainda fosse adolescente, para ajudar também tenho eczema. Digamos que a minha pele é um órgão muito complicado. O meu dermatologista já me deu dois tipos de tratamentos um com isotretinoína, mas em concentração reduzida devido ao eczema, e outro com antibiótico. A verdade é que acabam os tratamentos e a acne volta. Na última consulta referiu que a minha acne poderia melhorar com a alimentação, mas infelizmente não sobe aprofundar o assunto, dizendo apenas que não deveria consumir lacticínios e azeitonas. Por isso gostava muito de saber qual a alimentação mais adequada para melhorar a minha acne e também para não agravar o eczema.
Muito obrigada pela atenção.
Obrigada.

Resposta:
Olá Ana,
A pele é um dos principais excretores do nosso organismo, pelo que possivelmente o acne e os eczemas podem ser uma limpeza necessária ao teu organismo, que caso não saísse dessa forma, ou ficaria alojada no corpo, ou teria de sair de outras formas.
Na macrobiótica, o acne é visto como um excesso de calor interno que pode ter várias origens, sendo necessários mais indicadores para poder determinar eventuais causas.
Ainda assim, se reduzires o calor interno, julgo que poderás ver melhorias quanto ao acne. Assim, reduz o consumo dos alimentos que favorecem esse calor, como sejam os produtos animais, em especial a carne (branca e vermelha) e os estimulantes, como o açúcar, o café ou o chocolate. Os lácteos também devem ser eliminados, pelo excesso de gordura que contêm, bem como os óleos de má qualidade (hidrogeneizados) – mesmo os óleos de boa qualidade e as oleaginosas devem ser evitados no primeiro mês.
A carne deve ser substituída por leguminosas (em particular, pelo feijão mung) e por peixe branco, sem ser de viveiro, duas a três vezes por semana. Também ajuda passares a incluir cereais integrais em todas as refeições principais, bem como legumes de rama verde, porque vão favorecer o intestino e consequentemente favorecer a limpeza do organismo através dessa via (reduzindo assim a excreção a partir da pele).
Enquanto remédios caseiros, sugiro-te chá de três anos com uma gotas de molho de soja de boa qualidade (sem adição de açúcar) e sopa de miso (de cevada, não pasteurizado) pela manhã diariamente na primeira semana, passando a dia sim, dia não nas semanas seguintes.
Externamente, podes lavar a cara com chá de malva ou esfregar a pele com um pouco de vinagre de ameixa. Compressas de tofu também poderão ajudar.
Para além da alimentação, importa também reduzir o stress, sendo que correr poderá ajudar, desde que feito com gosto. Ambientes calmos e reconfortantes também ajudam, assim como cantar e técnicas de respiração. Se gostas de cantar, uma boa opção seria inscreveres-te num coro.
Felicidades

 

JOANA GONÇALVES

Bom dia, gostaria de saber como poderei tratar crises de ansiedade, seguidas de ataques de pânico, com a alimentação. Desde há 3 anos que o meu marido tem crises muito fortes de ansiedade, raramente se conseguindo controlar, acabando por ter que tomar xanax ou alprazolam. Existe algum tipo de alimentaçao que recomende? Obrigada, Joana Gonçalves

Resposta:
Olá Joana,
Sim, existem determinados alimentos que recomendo e outros que sugiro que sejam evitados, por forma a ver melhorar a condição que indicas.
Assim, de acordo com o que me descreveste, sugiro que ele coma sopa de miso, preferencialmente de cevada, não pasteurizada, pela manhã ou antes do almoço, diariamente durante duas semanas e depois passar a consumi-la em dias alternados. Não compres qualquer miso, alguns têm açúcar adicionado e devem ser evitados, e podes juntar cenoura e cebolinho à sopa, este último imediatamente antes de a servires.
Em todas as refeições principais deverá comer cereais integrais, em especial o trigo-sarraceno (em grão ou em esparguete, este ultimo chamado soba), legumes escaldados ou ao vapor em abundância (os principais neste caso são as raízes, isto é, a cenoura, o nabo, o rábano, mas não esquecendo de incluir também outros vegetais no prato) e leguminosas ou peixe bancos (este último, duas a três vezes por semana). No caso das leguminosas, deve dar preferência ao feijão preto e ao feijão azuki, devendo ser demolhados por 8 horas e cozinhados com alga kombu. Incluir também picles de boa qualidade no prato, como o chucrute sem açúcar (lê o rótulo) porque vai ajudar o intestino, que está ligado ao cérebro e às questões nervosas.
Nos produtos que devem mesmo ser evitados, estão todo o tipo de alimentos processados, como as farinhas brancas, os óleos hidrogenados e o açúcar (muito mau no caso da ansiedade; se quiseres fazer um doce, utiliza geleia de arroz). A carne, seja branca ou vermelha, acidifica o sangue que vai oxigenar o cérebro e também deve ser evitada.
Como remédios caseiros há um tempero chamado tekka, que pode ser utilizado por cima dos cereais ou na sopa, incluído depois de servidos. Um chá bastante bom nesse caso é o chá de feijão azuki ou de feijão de soja preto, com 2 a 3 gotinhas de molho de soja saudável (sem inclusão e açúcar, lê os rótulos), que deverá beber durante duas semanas numa base diária e depois alargando a sua toma.
Praticar exercício físico, seja de ioga, chi king, corrida, é muito importante, desde que não seja natação ou outros que envolvam água. Ao final do dia ou nos dias de maior tensão, massajar os pés e em particular os dedos mínimos do pé também costuma ajudar, assim como fazer um escalda-pés (colocar os pés de molho em água quente e sal).
Compressas de gengibre nos rins (1 ou 2 vezes por semana) são também excelente para ajudar a reduzir a ansiedade.
Finalmente, se sentirem dificuldades ao início em fazer estas alterações, não desanimem. Custa o primeiro mês porque é necessário mudar algumas rotinas, mas depois torna-se mais simples. Se sentirem que precisam de dicas sobre como preparar os pratos de forma saborosa, talvez seja boa ideia fazerem um curso de iniciação à culinária macrobiótica no Instituto Macrobiótico de Portugal, para aprender algumas dicas.
Felicidades a ambos

 

CLAUDIA BRAVO 

A minha questão para o Dr. Francisco Varatojo é a seguinte:

Tenho 29 anos, meço 1,76 m e peso 60 kg, e sou mãe de uma bebe de 1 ano, e resido em Coimbra.
Desde sempre me preocupei com a alimentação mas nunca fiz uma dieta rigorosa. Tento sempre comer coisas saudáveis, mas como de tudo (carne, peixe, iogurtes, aveia, etc). No entanto, de há uns tempos para cá, quando como certas comidas (que não sejam ou grelhados, ou cozidos), isto é, quando como comidas assim mais elaboradas e condimentadas fico com uma barriga que parece que estou gravida outra vez! Fico com um balão enorme, e não paro de arrotar, fico muito enfartada. E até já me aconteceu ficar com palpitações de tal ordem que pensei que parecia que o coração me ia sair pela boca.
Já pensei fazer um daqueles testes de intolerância alimentar, mas já li numa das suas respostas anteriores, que o Dr. não é muito de acordo com estes testes. Daí estar a escrever-lhe… Como saber o que me está a fazer mal? Será o glúten… Será a lactose…. Ainda por cima agora que a minha filha já começa a comer a nossa comida, queria tentar dar-lhe o mais saudável possível, e sem lhe fazer o mal que me faz a mim… Se me puder ajudar agradecia muito.
Muito obrigada por tudo.

Resposta:
Olá Cláudia,
Efetivamente não costumo recomendar os testes de intolerância alimentar, também porque acredito que se comermos de forma saudável numa base diária, as intolerâncias, seja de que ordem forem, tendem a desaparecer.
Com base no que me indicas (e aqui precisava de uma análise mais detalhada e de mais informação) é possível que o teu sistema digestivo esteja sobrecarregado e que reaja quando comes de forma mais elaborada. Também pode ser uma intolerância, mas se alterares a alimentação, esta tende a passar.
Assim, o que te sugiro é que incluas em todas as refeições principais vegetais de rama verde, escaldados ou ao vapor, porque vão ajudar numa melhor digestão. Também importa passares a incluir cereais integrais na tua alimentação – o arroz integral poderá ajudar bastante no caso que me descreves. Há uma grande diversidade de cereais integrais que podem, e devem ser utilizados. Por exemplo, se quiseres fazer um empadão de legumes, em vez da batata usa millet, um cereal muito bom para a digestão e que a Ana Galvão descreve no seu blog.
Importa também reduzir o consumo de gorduras mais densas, para que o organismo possa fazer a sua limpeza. Assim, sugiro-te que elimines de vez da tua dieta os lacticínios (são fonte de uma série de intolerâncias, sendo que a maior parte das pessoas apenas não associa os sintomas aos lacticínios) e as carnes vermelhas e brancas – usa antes peixe branco, sem ser de viveiro (duas a três vezes por semana) e leguminosas, em particular as lentilhas.
Finalmente, fazes exercício? Se não o fazes, recomendo-te que comeces a praticar algo que te dê prazer, quem sabe até que possas fazer com a tua filha. A alimentação é muito importante, mas não devemos descurar o exercício físico, que também nos ajuda a reequilibrar.
Felicidades
JOÃO POUSADAS 

Olá, Ana!
Em primeiro lugar, MUITOS PARABENS pelo seu Blog!!!! Acho que fazia falta um espaço assim!
Fiquei muito interessada na alimentação macrobiótica e numa alimentação cada vez mais saudavel.
O meu nome é João, e foi-me diagnosticada há uns aninhos hemocromatose herditária, por outras palavras, tenho ferro a mais no organismo.
Uma das coisas que realmente influencia o meu problema é a alimentação. Deixei de comer (ou evito) carne vermelha e certos legumes.
No entanto, e talvez por ter uma miuda pequena, tenho sentido cada vez mais necessidade de uma alimentação o mais saudavel possível.
A minha pergunta ao Dr. Francisco vem no sentido: o que devo comer tendo em conta o meu problema (hemocromatose) e uma vez que pretendo emagrecer (pois ganhei alguns quilinhos), pois os alimentos que tenho visto, alguns são ricos em ferro (o que no meu caso é impensavel) e outros podem engordar….
Que aconselha????
Obrigada e continuem assim!!!! E já agora, workshops de macrobiótica, há?

Resposta:
Olá João,
Teres eliminado/ evitares a carne vermelha foi um ótimo grande passo na condição que indicas. O que te sugiro é que vás um pouco mais longe e que elimines também a branca, já que afeta o organismo como a vermelha, mas apenas por outras vias. Substitui por leguminosas, em especial o grão, e por peixe branco sem ser de viveiro ocasionalmente – num máximo de duas vezes por semana. Ovos, leite e derivados também devem ser eliminados.
Quanto às restantes componentes da alimentação, importa comeres muitos vegetais verdes, bem como vegetais redondos (abóbora, cebola, entre outros…) e que incluías a todas as refeições principais cereais integrais – que julgo podem ser muito benéficos no reequilíbrio dos níveis de ferro no organismo.
Podes também beber caldo de vegetais doces todo os dias (ferve durante 20 minutos a mesma quantidade de cenouras, cebolas, abóbora e couve em cinco vezes mais de água. Coa e bebe) durante um mês.
Fazer exercício de libertação de energia também seria muito benéfico no teu caso, desde que não fosse de competição, assim como atividades que te permitam relaxar, descontrair, libertar, como meditação e exercícios respiratórios.
Quanto a workshops de macrobiótica, sim, existem alguns mais breves de iniciação a esta forma de alimentação e outros mais longos. Depois também tens alguns mais temáticos, como refeições específicas para as festividades natalícias, sobremesas sem açúcar e pequenos-almoços e lanches saudáveis, entre outros. Procura na página do Instituto Macrobiótico de Portugal.
Felicidades

 

MANUELA QUINTANILHA 

Em Dez. de 2014, faz agora 1 ano, chegou-me ás mãos o livro de David Perlmutter, cérebro de farinha e após este já li alguns que envolvem esta problemática da nossa má alimentação e de como a industria alimentar nos “esconde” tanta coisa. Claro que vamos todos morrer mas se for com melhor saúde nos nossos últimos anos – quem chegar a mais velho, claro – seria de louvar.
Felizmente sinto-me genericamente bem, tenho 50 anos, faço exercício físico regular, peso 55 kg, para 1,65m de altura e não costumo ter grandes maleitas nem de estômago, nem de dores de cabeça, do que chamamos “dor de barriga”, etc. O meu principal problema é uma tendência para dor muscular mais ou menos generalizada.  Tenho também uma fascite plantar que de manhã não me deixa colocar o pé no chão! só passado 15/20m retomo o normal.
Gostaria de alguns conselhos para incidir numa alimentação que me pudesse ajudar a um alivio desta dor muscular. Entretanto durante este ano deixei de comer carne vermelha (só como frango de campo e peru), uso massa de arroz ou de milho e não de trigo; como vegetais e fruta; não bebo leite nem iogurtes mas adoro queijos! como bastante peixe de carne branca; 1 pão por dia ou então outras alternativas sem gluten. Enfim, tentei melhorar mas parece que me falta qualquer coisa!

Resposta:
Olá Manuela,
Fizeste muito bem em deixar de comer carne vermelha. Nota, porém, que apesar de se dizer que a carne vermelha é pior do que a branca, acredito que a diferença entre ambas é mais ao nível dos órgãos que vão prejudicar e não tanto se uma é pior do que outra. E assim, o que te sugiro é que deixes também a carne branca.
Quanto ao glúten, julgo que este parece causar tantos problemas, mais pela falta de qualidade do glúten consumido (a maior parte das vezes é farinha branca refinada, não muito favorável ao organismo) e pelos restantes compostos que vêm associado ao glúten (o açúcar, os fermentos ou os óleos de má qualidade), do que pelo glúten em si.
Assim, sugiro que comeces a incluir em todas as refeições principais um cereal integral, em especial o millet (a Ana Galvão fala dele no seu blog). As massas também podem ser utilizadas, mas menor frequentemente e a batata deve ser evitada, porque ataca os ossos. Os vegetais redondos, como a cebola, a abóbora, os brócolos ou a couve lombarda também são muito benéficos neste caso e devem entrar sempre no prato, seja ao vapor, seja escaldados.
Por substituição da carne, uma alternativa que já utilizas é o peixe branco, mas sem ser de viveiro, devendo ser consumido até três vezes por semana. Outra alternativa saudável são as leguminosas, muito usadas pelos nossos antepassados, sendo o grão recomendável no teu caso e devendo ser demolhado por oito horas e cozinhado com alga kombu.
Quanto à fruta, dá preferência à fruta da época, sem abusar do consumo da mesma, e evita a tropical (apenas benéfica para quem vive nos trópicos, ou quando lá estamos a passar uns dias). Fruta local especialmente boa é a maçã, que deve ser cozinhada em pouca água.
Queijo e outros lacticínios, só mesmo em dias de festa, assim como os alimentos com açúcar (incluindo-se aqui a stevia), que devem ser evitados ao máximo por serem inflamatórios.
Um remédio caseiro que poderá ajudar é caldo de vegetais doces, que consiste em colocar numa panela uma porção de abóbora, uma de cebola, uma de couve e uma de cenoura, cobrir com água, deixar ferver por 20 minutos e no final coar e bebe o líquido.
Chá de arnica também poderá ajudar nas questões musculares, mas bebido com moderação.
Finalmente, como pareces interessar-te por estes temas, se sentires necessidade em aprofundar mais a alimentação macrobiótica sugiro-te um curso de iniciação à culinária macrobiótica no Instituto Macrobiótico de Portugal.
Felicidades

 

ANDREIA TEIXEIRA 

Antes demais, parabéns pela iniciativa e o trabalho que tem feito no blog. Acompanho desde o primeiro dia e tenho gostado, especialmente porque desconstroi um conjunto de paradigmas à volta da cozinha alternativa em geral, e da macrobiótica em particular. Não tem que ser tudo complicado…as compras, as receitas, o equilibrio entre alimentos, etc..
Estou decidida a iniciar um processo no caminho de uma alimentação mais saudável e incluir a minha familia comigo.
Dúvidas para o consultório: Andreia Sousa
Tenho 32 anos, com uma filha de 16 meses. Sou uma pessoa sedentária há muitos anos, sempre fui magra sem qualquer esforço (48kgs para 1,58m), o meu peso não variava, sempre tive pouco apetite mas sentia a necessidade de comer várias vezes ao dia. Sofri algumas consequências com o desiquilibrio hormonal inerente a uma gravidez e pós parto, mas passado quase 1 ano e meio, continuo a sentir mudanças que quero “atacar” com urgência pois não me sinto saudável: o apetite quadriplicou, a massa gorda (medida ontem) está nos 36%, o meu sistema imunitário está fraco (tive inicio de pneumonia há 2 semanas), barriga sempre inchada (especialmente abaixo do umbigo, parece que tenho uma bolsa).
Tomei a iniciativa de ir a uma nutricionista que aconselhou cortar no leite (só bebo leite de arroz) e em relação aos hidratos (que eu tanto adoro) aconselhou as opções alternativas (pão marca Miolo ou escuro; arroz integral; quinoa; etc.). Carne como peixe (todo o tipo), frango, peru. Gosto muito de gelados e chocolate, comendo pelo menos 2 vezes por semana algo doce. Não gosto de iogurtes de qualquer tipo.
Que dicas me pode dar para melhorar a minha condição fisica e a minha saúde? Não existem milagres, eu sei, mas estou comprometida a mudar. Já comecei a fazer desporto esta semana, dei um primeiro passo. Mas sei que a alimentação é a peça chave em todo este processo.

Resposta:
Olá Andreia,
Parabéns por teres iniciado uma atividade física. Cuidados com a alimentação combinados com exercício físico costumam resultar muito bem na manutenção da saúde e na restauração do peso mais indicado ao nosso corpo.
Teres começado por cortar o leite (e derivados), assim como passar a consumir pão de boa qualidade foi um bom princípio, mas há outras sugestões que me parecem eficazes e que te poderão ajudar.
Assim, começa por incluir na tua prática alimentar a sopa de miso, de boa qualidade (preferencialmente de cevada, não pasteurizado) bem como passa a incluir cereais integrais em todas as refeições principais – em especial o trigo-sarraceno, assim como vegetais cozinhados ao vapor ou ligeiramente escaldados. Os cereais integrais dão uma maior sensação de saciação e ajudam o intestino a funcionar melhor. No caso dos vegetais, favorece as raízes, como a cenoura, o nabo, o rabano, entre outros. Ao pequeno-almoço, seria boa ideia fazeres papa de cereais, caso consigas substitui-la pelo pão, já que vai ajudar a emagrecer.
A carne (vermelha e branca) e o leite e derivados devem ser evitados ao máximo porque criam obstruções no organismo e o excesso de gordura dos mesmos instalam-se facilmente no corpo. Substitui as carnes por leguminosas (em especial o feijão azuki, o feijão preto e o feijão de soja preto) e por peixe branco sem ser de viveiro, sendo que no caso do peixe, num máximo de três vezes por semana. Alimentos fermentados de boa qualidade (sem álcool e sem açúcar) também devem ser incluídos no prato.
Não é trágico gostar de alimentos doces; é aliás um sabor muito importante e que deve constar sempre no prato, caso contrário surgirá a vontade de comer uma sobremesa. Mas importa que comas doces de boa qualidade, em vez de doces que inflamam o organismo e o prejudicam (como aqueles que indicas e que geralmente incluem açúcar, stevia, aspartame, sacarina,…). Assim, sugiro-te que acrescentes ao prato puré de abóbora, de cenoura, de castanha ou de outro legume doce, ou ainda cebolada, entre outras.
No caso das sobremesas, opta por fazer as tuas sobremesas, usando geleia de arroz e outras geleias à base de cereais integrais que entram de forma mais lenta no sangue e são menos agressivas ao corpo, ou compra adoçadas com geleias de cereais, que podes encontrar em lojas de produtos naturais ou biológicos – as sobremesas não devem ser comidas à refeição mas entre refeições, sendo as mais benéficas, maçã cozinhada ou maçã com abóbora, entre outras. O Instituto Macrobiótico de Portugal realiza workshops de sobremesas sem açúcar caso sintas necessidade de ter algumas ideias a este nível, o próximo a ocorrer já em dezembro.
Um remédio caseiro que ajuda a reduzir a vontade de comer doces é caldo de vegetais doces: coloca numa panela uma porção de abóbora, uma de cebola, uma de couve e uma de cenoura, cobre com água, deixa ferver por 20 minutos e no final coa e bebe o líquido. Fazer durante uma semana seguida e na semana seguinte ir espaçando a toma.
Podem não existir milagres, mas as mudanças acontecem, desde que nos proponhamos a concretiza-las.
Desejo-te as maiores felicidades nesta tua mudança.

 

ERMELINDA SERGIO 

Boa tarde Dr. Francisco Varatojo,
Interesso-me e muito pelo tema da alimentação saudável, sendo uma autodidata e cobaia das minhas experiências. Com relativa facilidade, cruzando informação de várias fontes tenho conseguido chegar a conclusões que se têm repercutido na melhoria significativa do meu bem estar geral, contudo existe um assunto para o qual ainda não encontrei consenso, que tem a haver com as incompatibilidades alimentares, nomeadamente ao nível da digestão. Gostava muito de saber o que pensa sobre este tema.
Se puder, agradeço informação sobre bibliografia que ajude a um melhor entendimento.

Resposta:
Olá Ermelinda,
Na macrobiótica existe a preocupação de comer de forma equilibrada e com qualidade, sendo que, quando se respeitam estas duas, as incompatibilidades acabam por ser abordadas de uma forma menos direta. Por exemplo, recomendo que se coma a sobremesa fora das refeições, porque tal atrasa a digestão – o índice glicémico da sobremesa passa a prioritário na digestão do estomago, atrasando a digestão dos restantes alimentos, com menor índice glicémico.
Outro tipo de incompatibilidade são os alimentos frios e os alimentos oleosos, que tendem a degenerar o fígado, ou a combinação das farinhas com os óleos, que tendem a degenerar o baço e o pâncreas.
Beber água (mesmo em formato de chá) à refeição ou na hora seguinte após a mesma também é contraindicado, porque vai dissolver os sucos gástricos e piorar a digestão.
Como este é um tema relativamente ao qual não presto muita atenção não estou a par de bibliografia atualizada e fidedigna sobre o mesmo

Felicidades
INES LEAL 

Gosto imenso do seu blog. Obrigada pela partilha.
E olá Francisco, e obrigada também pela ajuda.
Queria saber se as crianças podem fazer sempre uma alimentação sem qualquer proteína animal e se há, nestes casos, algum alimento que não deva faltar para a substituir.
Pelo que percebo, a macrobiótica está relacionada com uma forma de vida mais abrangente, não só a alimentação. Pode indicar-me livros mais globais, que sejam bons? Há tanta coisa publicada hoje em dia e não sei o que é que é mais fiável.
Posso fazer outra pergunta? :  ) O uso do forno é desaconselhado?

Resposta:
Olá Inês,
Respondendo à tua questão sobre se as crianças podem fazer uma alimentação sem qualquer proteína animal, acredito que sim, desde que a proteína se vá buscar a outras fontes. O curioso é que, de acordo com vários estudos, a proteína vegetal é bem mais saudável do que a animal.
O truque está em combinar um cereal integral com uma leguminosa, obtendo-se praticamente todos os aminoácidos que estão incluídos na proteína animal. Por exemplo, arroz integral com feijão é um prato com proteína completa, não havendo necessidade de juntar a carne. Outro exemplo é pasta de húmus (feita a partir de grão) em pão (de boa qualidade).
Mas nota que o cereal deve ser integral. Por exemplo, o arroz branco passou por um processo em que alguns dos aminoácidos se perdem e portanto a combinação arroz branco e feijão não é tão rica quanto arroz integral e feijão.
Quanto à leguminosa, devem ser demolhadas e cozinhadas com alga kombu (para ajudar à digestão, em vez de comprar as de frascos ou latas, com outros compostos adicionados.
Assim, para substituição da carne, deves usar em cada refeição principal um cereal integral e uma leguminosa (há uma larga variedade delas e uma imensidão de receitas a partir das mesmas) – as crianças costumam gostar das lentilhas. Também podes incluir peixe na alimentação, tua e das crianças, desde que seja branco e que não seja de viveiro, no máximo três vezes por semana.
E sim, a macrobiótica é uma forma de estar na vida, em que se privilegia a ação pelo Todo, em vez da ação pela parte; em que o individuo toma como sua responsabilidade as suas ações e a sua vida, não descurando questões éticas como o impacto ambiental e social dessas ações. Porque natureza e homem são partes do mesmo mundo. Assim, não basta apenas melhorar a alimentação, mas agir em conformidade com o meio que nos rodeia, estando presentes e tendo consciência das decisões que tomamos no dia-a-dia e de como estas afetam o nosso mundo interior e exterior.
Quanto aos livros sobre filosofia macrobiótica, sugeria-te que lesses o livro do Michio Kushi e Alex Jack, “A humanidade numa encruzilhada”, o meu livro “Mente sã, corpo são” ou o livro do Denny Waxman “Uma vida plena”, entre outros.
O uso do forno não é desaconselhado mas não é normalmente um método culinário que se use todos os dias, em particular no Verão e dias quentes. É um método melhor para usar nos dias frios.
Já o uso do micro-ondas é totalmente desaconselhável, independentemente da condição de saúde da pessoa ou da época do ano.
Felicidades
RAQUEL CERDEIRA 

Boa tarde Francisco.
Ando à cerca de 3/4 meses com muitas dores de estômago, tudo o que como, me provoca desconforto/dor. Estou com o estômago mesmo sensível, penso que terá sido por uma fase da minha vida (mastites constantes) que tive que tomar cerca de 5 antibióticos em 5 meses,um terror.
Tenho uma alimentação saudável, em casa comemos macrobiótica, não bebo leite nem derivados, açucares muito raramente, não sei o que se passa com o meu estômago.
Agradeço resposta 🙂

Resposta:
Olá Raquel,
Dado que já praticas uma alimentação macrobiótica, possivelmente teria de te ver para poder fazer uma análise mais específica sobre o teu caso. Ainda assim, na macrobiótica os alimentos que beneficiam o funcionamento do estômago e que portanto podes consumir com mais frequência, são o millet (enquanto cereal integral), os vegetais redondos (abóbora, a cebola ou a couve lombarda, entre outros) e no caso das leguminosas optar pelo grão.
Sugiro-te que cozinhes os cereais integrais muito bem até ficarem macios, para facilitar a digestão e que o grão seja demolhado por oito horas e cozinhado com alga kombu.
Como sobremesa, podes optar por abóbora com maçã, maçã cozinhada em pouca água ou creme de millet. Evita a fruta tropical e quando comeres fruta local, tenta come-la cozinhada em pouca água.
Evita a batata, a beringela e o tomate por acidificarem o estômago. Evita também todo o tipo de estimulantes, como o açúcar, o café, o chocolate, mas também as farinhas e os óleos refinados, que agridem o sistema digestivo e fora de casa também a carne, seja branca ou vermelha (dificulta a digestão).
Não sei se conheces a receita de caldo de vegetais doces? Preparas numa panela uma porção de abóbora, uma de cebola, uma de couve e uma de cenoura, cobres com água, deixas ferver por 20 minutos e no final coas e bebes o líquido. Bebe todos os dias durante uma semana e na semana seguinte vai alargando os dias da toma. Chá de três anos com ameixa umebochi e duas gotas de molho de soja de boa qualidade (shoyu), também ajuda nestes casos, devendo ser tomado três dias numa semana, alternando os dias e durante duas semanas.
Finalmente, para além da comida, deves mastigar muito bem (vai facilitar o processo do estômago), comer sentada e em paz.
Exercício físico em grupo talvez fosse uma boa ideia. Escolhe um e aventura-te. A combinação alimentação mais exercício físico costuma resultar muito bem.
Felicidades

 

JACINTA OLIVEIRA 

Gosto muito do seu blog.
Sei que teve um problema no estômago e que depois de consultar o Dr. Francisco Varatojo melhorou bastante.
Gostaria de lhe perguntar qual o alimento ou alimentos que usa para melhorar os sintomas do estômago, pois eu já tive o problema da bactéria Pyloris no estômago, tomei vários antibioticos melhorou, mas o meu estômago nunca mais foi o mesmo, anda sempre muito sensível.

Resposta:
Olá Jacinta,
O melhoramento do estômago passa tanto pelos alimentos que consumimos como por aqueles que precisamos de deixar de parte da nossa alimentação.
Assim, no caso dos alimentos a consumir, devem ser privilegiados os cereais integrais (em especial o millet, indicado pela Ana Galvão no seu blog), bem cozinhados até ficarem macios, assim como os legumes redondos, como a abóbora, a cebola ou a couve lombarda, ao vapor ou escaldados. Quer os cereais integrais como os legumes devem aparecer em todas as refeições principais. Evita a batata, a beringela e o tomate por acidificarem o estômago. Mas podes usar massas semi-integrais ocasionalmente.
Eliminar a carne, seja branca ou vermelha é importante, porque a carne atrasa a digestão e acidifica o organismo (se não for biológica também costuma estar cheia de antibiótico, o que debilita o sistema imunitário). Sugiro-te que a substituas por leguminosas, em especial o grão, demolhado por oito horas e cozinhado com alga kombu. Outra alternativa é o peixe branco sem ser de viveiro, desde que o consumas até três vezes por semana.
Algumas sobremesas, se sentes falta destas, são abóbora com maçã, ou maçã cozinhada em pouca água. Não convém que comas fruta tropical. Dá preferência à fruta da época e local, sem abusar do consumo da mesma, devendo ser comida fora das refeições, para não atrasar o processo digestivo.
Também deverás eliminar os alimentos com açúcar, as farinhas e os óleos refinados, que agridem o sistema digestivo.
Um remédio caseiro bom para o estômago é o caldo de vegetais doces – colocas numa panela uma porção de abóbora, uma de cebola, uma de couve e uma de cenoura, cobrir com água, deixas ferver por 20 minutos e no final coas e bebes o líquido. Outro benéfico é chá de três anos com ameixa umebochi e duas gotas de molho de soja de boa qualidade (shoyu), bebido por três dias numa semana, alternando os dias (podes encontrar estes produtos em lojas de produtos naturais ou biológicos).
Finalmente, é importante mastigar muito bem, porque uma má mastigação obriga o estômago (onde começa a digestão) a ter trabalho redobrado e tentares comer sentada, calmamente, para que a digestão se faça de forma harmoniosa.
Felicidades