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Segue o retorno às vossas perguntas do Francisco Varatojo, director do Instituto Macrobiótico, professor, autor de vários livros e um dos consultores de cura pela alimentação mais procurados do mundo.  Tenham em conta que o Francisco não vos conhece nem vos viu pessoalmente  e que, por isso, não consegue ter o quadro geral da vossa total condição física. Sendo assim, estas respostas não conseguem ser específicas para cada um de vocês e foram respondidas sob uma base mais abrangente. Nenhum destes conselhos deve ser seguido como se tivesse sido dado numa consulta particular e devem, sempre, consultar o médico, quando acharem necessário.

DIANA MAIA

Boa tarde.
Ainda naõ sou totalmente adepta da macrobiotica mas estou a tentar informar-me para tal. Assim, tenho um duvida: disseram-me que a soja é altamente tóxica para o nosso organismo. Só na sua forma fementada (tofu por exemplo) é que se torna saudavel. É verdade? Sendo eu adpeta de iogurtes e querendo retirar completamtne o leite e derivados da minha alimentação torna-se dificil a sua substituição principalmente por alimentos que não contenham soja. Alguma alternativa?
Obrigada

Resposta:
Olá Diana,
Grande parte da soja produzida atualmente é geneticamente modificada e prejudicial ao nosso organismo, sendo que esta serve principalmente para alimentar a industria animal – o que significa que comendo carne, acabamos por estar a receber esse tipo de soja de forma indireta.
Na prática macrobiótica recomendo apenas os produtos de soja fermentada (como é o caso do miso, shoyu, tofu, tempeh, natto) porque no processo de fermentação a soja ganha propriedades que beneficiam a digestão. Os restantes produtos de soja, mesmo os biológicos, costumam passar por processos industrializados que eliminam as propriedades naturais da mesma e dificultam a sua assimilação. Em particular, o granulado de soja deve mesmo ser evitado.
Para substituir o leite e os iogurtes, opta pelas papas (com água) de arroz, de aveia e de outros cereais, às quais podes acrescentar frutos secos, passas ou um pouco de fruta cozinhada (para ficar mais doce). Uma segunda opção são as bebidas de cereais (arroz, millet, cevada, aveia, …) à venda em mercados de produtos naturais ou em mercados biológicos, sendo que o ideal será fazeres a tua própria bebida em casa, para além de ser mais ecológico.
Desejo-te as maiores felicidades

ANA MARGARIDA FERRO

Tenho eczemas, ou dermatite atópica como os médicos lhe chamam. Já fui ao dermatologista que me receita pomadas com cortisona mas estes voltam sempre a aparecer. Eu creio que poderei ter alguma intolerância/alergia alimentar que me poderá causar isto. Poderá dar-me algum conselho relativamente ao tratamento/prevenção dos eczemas através da alimentação?

Resposta:

Olá Ana,
No que se refere à alimentação, sugiro que acrescentes aos teus hábitos alimentares sopa de miso de cevada não pasteurizada. Inclui também cereais integrais (em especial o arroz integral) e uma boa variedade de vegetais verdes, ligeiramente escaldados. Opta também por comer leguminosas em vez de carnes, sejam brancas ou vermelhas. As lentilhas deverão resultar bem no teu caso.
Por outro lado, deves evitar ao máximo todo o tipo de lácteos (leite e todos os derivados) e o açúcar e as farinhas refinadas (são inflamatórios). Se te apetecer uma sobremesa, sugiro-te maça cozinhada ou abóbora com maçã. Sempre fruta da época e do local cozinhadas. Fruta tropical não é boa opção.
Aproveito para te recomendar também cuidados externos. Nomeadamente, fazeres todas as manhãs um banho seco, que consiste em esfrega o corpo com uma toalha quente e húmida, de forma vigorosa mas sem pressionar demasiado a pele. Exercício físico também ajuda, porque vai permitir que o corpo elimine, de outras formas, o que os eczemas poderão estar a tentar eliminar. Evita ainda produtos de higiene sintéticos, bem como roupa de corpo e de cama sintéticos. Opta por usar roupa de interior de algodão porque ajuda a pele a respirar.
Desejo-te as maiores felicidades

ANA DIAS

A minha questão para o Dr. Francisco Varatojo é: sendo vegetariana gostaria de saber quais os alimentos que me ajudam a ter um cabelo mais forte e saudável?

Resposta:
Olá Ana,
Para teres um cabelo mais forte e saudável, sugiro-te comeres bastantes raízes, como sejam as cenouras, os nabos ou os rábanos, de preferência cozinhados de diferentes formas. Sopa de miso de cevada não pasteurizada tomada frequentemente, também é muito importante. Todo o tipo de feijões, com especial destaque para o feijão preto e o feijão azuki, também ajudam à saúde do cabelo. As sementes de sésamo (preferencialmente tostadas ou trituradas) também são muito boas.
Deves evitar o açúcar refinado, mesmo o amarelo e o agave, e as farinhas refinadas. Evita também todo o tipo de alimentos demasiado salgados, porque são particularmente prejudiciais à saúde do cabelo. As carnes brancas e vermelhas devem ser eliminadas; opta por peixe de carne branca (como a pescada ou o linguado). Não abuses da fruta, podendo comê-la, preferencialmente da época e cozinhada, bem como fora das refeições.
Um remédio caseiro muito simples consiste em fazeres chá de feijão azuki e beber em jejum (o chá é, nada mais nada menos, que a água que resulta da cozedura do feijão).
Finalmente, escova o cabelo com carinho ao final do dia; dá-lhe atenção pela positiva.
Desejo-te as maiores Felicidades

SOFIA SOMSEN

Envio este e-mail pois gostaria de colocar algumas questões. Tenho 26 anos e desde os meus 10 (mais ou menos) que sofro de enxaquecas. Já tentei produtos naturais mas infelizmente nada resulta e acabo por voltar sempre aos “químicos”. Sei que há muitos factores que levam ao surgimento das mesmas e alguns eu já conheço e procuro evitar… Contudo, já ouvi dizer que por vezes a própria alimentação poderá influenciar o surgimento ou não de enxaquecas. Gostaria de saber a opinião do Dr. Francisco Varatojo e possivelmente algumas dicas.
Outra questão está relacionada com o facto de muitas vezes comer e ficar a sentir-me inchada e sofrer muito com cólicas. Também já ouvi falar de um Teste de Intolerância Alimentar, será que deveria fazer? Aconselha que o faça? E haverá alguns alimentos que deveria excluir da minha alimentação?

Resposta:
Olá Ana,
Sim, a alimentação pode influenciar a existência, ou não, de enxaquecas. E adianto que existe uma relação entre o cérebro e o intestino, o que significa que as tuas reações intestinais poderão estar associadas à própria enxaqueca.
Face à descrição apresentada, recomendo-te sopa de miso de cevada, não pasteurizada, à qual podes acrescentar cebolinho e cenoura. Os cereais integrais, como o millet ou o arroz integral podem ajudar muito, porque favorecem um melhor funcionamento do intestino, mas deves demolhá-los por 3 horas ou mais e cozinhá-los até ficarem macios. Deves usar vegetais de rama verde em abundância e em cada prato principal, escaldando-os ou em estufados, por exemplo. Ao final do dia, poderás optar por maça cozinhada em muito pouca água.
Mas importa também excluíres todo o tipo de alimentos refinados e processados da tua prática diária (porque agridem o intestino e podem causar as enxaquecas). Aqui incluem-se o açúcar e as farinhas de forno brancas. Também deverás eliminar todo o tipo de alimentos lácteos (que também enfraquecem muito os intestinos) e as carnes que, de difícil digestão, tendem a prejudicar o intestino.
Quanto ao teste de intolerância alimentar, não costumo recomendar. Estes testes agregam os alimentos por componentes ativos, esquecendo que os alimentos não são apenas um ou outro componente, mas um pacote completo de componentes que interagem entre si. Aposta antes numa alimentação diversificada, com base em produtos biológicos e da época e verás a diferença.
Finalmente, nota que as recomendações que te envio são resultado do quadro que me apresentaste, o que não substitui uma consulta mais especializada. Por exemplo, o local onde se dá a enxaqueca permite efetuar recomendações mais específicas ou o quadro clinico histórico pode devolver outras pistas para a questão em si.
Desejo-te as maiores felicidades

SILVIA DIAS

Sempre tive o colesterol alto e fui cortando em diversas coisas como o leite e algumas carnes, mas sempre fui comendo carnes brancas (franco, peru) , sem qualquer efeito, pelos vistos é o meu próprio organismo que produz gordura, como não quero tomar químicos vou experimentando comprimidos das ervanárias, agora tomo alcachofra para desintoxicar fígado e comprimidos de arroz vermelho, melhorei um pouquinho (passei de 268 total para 242) ao fim de 2 meses.

Para piorar  as coisas descobri que também tenho ácido úrico e fiquei alarmada, já que não como assim tanta carne. Mais do que nunca estou decidida a optar por uma alimentação vegetariana.
Mas penso que mesmo assim pode não ser suficiente, já que é o meu organismo quem produz em demasia o colesterol e o ácido.
Preciso de ajuda! Se a Ana ou o Dr. Varatojo me puderem dar dicas agradecia.
Obrigada,

Resposta:
Olá Sílvia,
Quando indicas que eliminaste o leite, referes-te também aos derivados, como o queijo e a manteiga? Isto porque os derivados do leite, bem como outras gorduras densas, como todo o tipo de carne, devem ser eliminadas da alimentação quando se tratam de problemas de colesterol.
Substitui a proteína animal por leguminosas, em especial as lentilhas que são particularmente favoráveis neste caso. Se tiveres de comer peixe, come com muita moderação e opta pelo peixe branco e sem ser de viveiro, como a pescada, o linguado ou a truta.
Sugiro-te que faças chá de cenoura e nabo ralados e que o bebas preferencialmente em jejum, com duas gotinhas de molho de soja (de boa qualidade, sem açúcar adicionado), todos os dias na primeira semana e ires espaçando na semana seguinte. O chá verde com umas gotas de vinagre de arroz também ajuda.
Outro ponto importante é comeres a horas e em todas as refeições principais incluíres uma porção de cereais integrais, assim como de vegetais verdes (seja escaldados, estufados, assados) e ires variando. E naturalmente, deves evitar o açúcar, mesmo o amarelo e o agave, por ser processado e inflamatório.
Finalmente, algo que costuma resultar bem nas questões de colesterol é o exercício físico, pelo que seria uma boa ideia definires uma atividade física da qual tires prazer e realizá-la sempre que possível. Caminhadas em passo rápido são uma ótima opção.
Felicidades

ANA MARGARIDA RIBEIRO

A minha mãe tem 50 anos, em 2009 fez uma cirurgia de remoção do útero, desde então sofre com uma dor que surge de vez em quando (talvez mês sim mês não sensivelmente) , localizada no quadrante inferior esquerdo do abdomén. São dores muito fortes, começou por tomar voltaren depois passou para o nolotil outra vezes tramadol (medicação que começou a nao ser tolerada pelo seu organismo, acabando por vomitar). Então a solução começou ir para o Centro de Saúde levar esta medicação na veia.. Eram dores tão fortes que a minha mãe nao conseguia ir trabalhar (trabalha das 16h às 00h) e chegou a desmaiar. Este ano decidi falar eu prórpia com o médico de família e sugeri que se subíssemos na escada da analgesia. Actualmente encontra-se a tomar Tapentadol nos episódios para tentar controlar as dores, mesmo assim nem sempre ajuda.
Já  fez várias colonoscopias… ecografias abdominais.. e nada de resultados… ninguem sabe muito bem o que a minha mãe possa ter, então chamaram-lhe síndrome do cólon irritável (tal como eu, o nosso médico acha que se trata de só de um nome.. não há grande estudo acerca do síndrome).
A minha grande questão prende-se com a alimentação da minha mãe:
nao come NADA de legumes verdes.. apenas feijão verde em vagem mas tenta escolher os menos verdes… isto porque acha que os legumes lhe provocam as dores….
então os pratos dela são só carne/peixe com arroz/massa/batatas/cenoura… até mesmo a sopa faz sempre um creme de cenoura so para ela… come pão branco (tentei introduzir pão de centeio, que ela também nao come), come muita fruta cozida (excepto kiwi que desde ha pouco tempo também acha que se relaciona com as suas dores)
penso que esta dieta nao é muito saudável. Para além disso desde os 30 anos que a minha mãe pesa à volta de 80kg e mede 1,60m, pelo que devia perder uns quilinhos… mas com esta alimentação é dificil. Acredito que isto possa ter muitas caracteristicas centrais, de sensitização central, porque a dor também surge um dias após situações muito stressantes.. e por isso acho que não tem assim TANTO a ver com a alimentação…mas é dificil convencê-la… O que sugere?

Resposta:
Olá Ana,
Face ao que me descreves acerca da tua mãe, seria bom ela começar a usar alimentos que reforcem o intestino.
Um remédio caseiro que ela poderá apreciar é chá de cenoura e nabo ralados, com duas gotinhas de molho de soja (de boa qualidade, sem adição de açúcar). Outro remédio muito bom para o intestino é o kuzu, que pode ser adquirido em lojas de produtos naturais ou biológicas. Podes colocar uma colher de sopa num copo com água, ferver o preparado e no final colocar duas gotas de molho de soja, antes de beber.
As refeições diárias também são muito importantes. Assim, sopa de miso deve ser tomada em abundância, de preferência miso de cevada não pasteurizada, com cebolinho e cenoura. Em todas as refeições principais deverá introduzir cereais integrais (favorecem o intestino) muito bem cozinhados para serem facilmente absorvidos, em especial o arroz integral. Se ela recusa vegetais verdes, tenta que tenha no prato os restantes, como por exemplo puré de abóbora ou de cenoura e cebola estufada. A abóbora e a cebola costumam ajudar nestes casos. Incluir também produtos com fermentação de boa qualidade (sem açúcar adicionado) ao final de cada refeição, como seja o chucrute. O peixe pode ser consumido, desde que seja o branco (pescada, entre outros) e de mar.
Quanto à fruta cozida, se optar por fruta da época e local, como a maçã e as peras nesta altura do ano, não haverá problema. Pode funcionar como calmante natural, desde que não seja consumida em demasia, no máximo uma peça por dia e sempre fora das refeições.
Mas importa também eliminar todo o tipo de alimentos prejudiciais ao intestino, a começar pelo leite e derivados, pela carne e pelas massas e outras de farinha branca, que inflamam a parede intestinal. A batata também não é o mais desejável, opta antes pela babata doce. O açúcar também deve ser evitado a todo o custo, mesmo o amarelo e a agave.
Aproveito para recomendar a mãe e filha, um abraço bem caloroso, diariamente. Às vezes, os mais pequenos gestos fazem maravilhas.
As melhoras para a tua mãe.
Felicidades

DANIELA CARDOSO

Fiquei interessadíssima acerca dos alimentos que curam. Tenho 30 anos e sofro de artrite reumatoide desde os 23. O meu médico disse-me que deveria ingerir alimentos com vitamina D como o salmão, a sardinha e o atum.
Gostaria de conhecer outros alimentos anti-inflamatórios assim como conhecer os alimentos que devo evitar e que ajudam a provocar a inflamação, e, consequentemente dor, nas articulações.
Muito obrigada por esta oportunidade de conhecer mais sobre os alimentos e sobre o meu corpo.

Resposta:
Olá Daniela,
Realmente a alimentação pode ajudar no teu caso.
Um remédio caseiro benéfico é o caldo de vegetais doces. Colocar numa panela uma porção de abóbora, uma de cebola, uma de couve e uma de cenoura, cobre com água e deixa ferver por 20 minutos. No final coa e bebe o líquido.
Chá de feijão azuki com alga kombu também ajuda nestes casos. Procura estes produtos em lojas de produtos naturais ou biológicas.
É importante que utilizes cereais integrais, em especial o arroz, em todas as refeições bem como vegetais verdes ligeiramente cozinhados (escaldados ou a vapor). Evita no entanto a aveia. Para a artrite, importa cozinhar tanto os vegetais como a fruta e no caso da fruta deve ser da época e comida com muita moderação e fora das refeições. A cenoura e o nabo devem ser usados com abundância.
Tal como referes, e bem, existem alimentos mais inflamatórios e que deves eliminar. São estes o leite e seus derivados, as farinhas refinadas, os açucares refinados (aqui também se inclui o açúcar amarelo e o agave) e os óleos refinados. A batata, a beringela e o tomate, conhecidos como solenáceos, também são particularmente desfavoráveis neste caso, bem como todo o tipo de carne (vermelhas e brancas). Alimentos com glúten, de forno e comida demasiado salgada também devem ser rejeitados.
Para um alívio externo, podes fazer compressas de couve ou massagens com óleo de sésamo.
Desejo-te as maiores felicidades

VERA PESSOA

Conheci o Francisco e a sua maravilhosa família no Zimp deste ano, aos quais quero agradecer os fabulosos dias que proporcionaram a tanta gente, eu incluída 🙂
A minha questão é a seguinte… Sou magrita… Tenho 35 anos, 52 Kg (com sorte), 1,70m de altura. Não me sinto mal fisicamente mas gostava de ser um pouquito mais robusta, eheh. Ainda pra mais agora que comecei a fazer caminhada, bicicleta, corrida porque me faz muito, muito bem.
Toda a gente põe a mão à cabeça e pensa “esta magricela deve querer desaparecer”. E eu também tenho receio de emagrecer, apesar de comer bem. O que acontece é que tenho o metabolismo tão acelerado, que não chego a assimilar o que como, se é que isto é possível.
Não faço alimentação macrobiótica regularmente. Faço algumas experiências, vou a todos os workshops do tema, retirei carnes vermelhas e laticínios.
Não retirei glutén, nem carnes brancas.
Que poderei fazer para engordar? Ou para aumentar a minha resistência ao exercício físico?

Resposta:
Olá Vera,
Obrigado pelo cumprimento.
A boa noticia é que nos meses de Outono e Inverno, tendencialmente, é mais fácil engordar do que nos meses da Primavera e Verão. Nota também que esta altura do ano é altura de recolhimento, portanto exercício físico é sempre bom, mas com alguma moderação.
Seguem algumas dicas para te tornares mais robusta, mantendo a saúde: arroz integral com castanhas é ótimo e estamos na altura delas; o arroz glutinoso e o millet glutinoso também são muito bons, assim como a quinoa, o bulgur e outros cereais semi-integrais. A acompanhar podes usar e abusar de todo o tipo de leguminosas, como o grão ou o feijão vermelho. Ao pequeno-almoço podes fazer papas de aveia e como snacks para a tarde, faz barritas de cereais, cuja receita está disponível no blog da Ana Galvão, ou bolachas de amêndoa (com farinhas de boa qualidade e geleia de arroz, como substituição do açúcar).
Se gostares de doces e já conheces o Instituto Macrobiótico, podes sempre fazer o workshop de ‘Doces Caseiros sem Açúcar’ que vai ocorrer no próximo dia 15 de novembro, mas desde que os comas com moderação.
Para a resistência ao exercício físico, o grão é particularmente bom, assim como o millet.
Desejo-te as maiores felicidades

MARIANA AZEVEDO

Eu ainda não tenho uma alimentação totalmente macrobiótica, mas vou estando cada vez mais interessada.
A minha pergunta é: Porque razão é que se eu tomar o pequeno almoço assim que me levanto, principalmente se beber um copo cheio de leite (simples ou com café, chocolate, etc) fico mal disposta? Se o fizer mais tarde não acontece…

Resposta:
Olá Mariana,
Obrigado pelo cumprimento.
Se já conheces a alimentação macrobiótica saberás que não recomendo o leite e seus derivados. Por um lado, deixámos de ter enzimas necessárias à digestão do leite logo após o desmame e, por outro, o leite de vaca é ideal para fazer crescer um bezerro, mas não para ser bebido pelo ser humano.
Assim, o que acontece é que a maior parte das pessoas tem algum nível de intolerância ao leite, mas na maior parte dos casos não associam os sintomas ao mesmo. Os sintomas podem passar por problemas de estômago, intestinais, urticária e outros, dependendo do estado interno de cada um. Diria que sentes os efeitos do leite quando o tomas ao pequeno-almoço porque é quando o teu estômago está vazio, mais limpo e portanto com maior sensibilidade ao que ingeres.
A minha recomendação é que elimines o leite da tua dieta, assim como os seus derivados. Para fortaleceres o estômago poderás cozinhar um cereal chamado millet, seja em sopas ou no prato, bem como usar muita abóbora e cebola cozinhada.
Finalmente, caso tenhas interesse em conhecer receitas de pequenos-almoços saudáveis, poderás consultar o blog da Ana, que certamente virá a colocar ideias para pequenos-almoços, ou fazer o workshop de um dia no Instituto Macrobiótico de Portugal, sobre pequenos-almoços e lanches saudáveis. O próximo irá decorrer já dia 14 de novembro.
Desejo-te as maiores felicidades

ANA INGLES

Eu sou a Ana, tenho 35 anos e foi-me diagnosticado ha 2 semanas hernia do hiato. Comecei a fazer testes devido a uma tosse cronica que começou ha 5 meses (quando segundo a medica de familia, tive um virus ou bacteria que desencadeou a tosse).
Entretanto o otorrino detectou acido na garganta e em seguida um teste detectou a  hernia de hiato.
Pergunto-lhe , que aconselha para que eu consiga levar uma vida equilibrada. Sei que a alimentação e fundamental e estou a  tentar corrigir a minha dieta o melhor possível. O blog da Ana Galvão, vem mesmo em hora certa!
Estou a passar uma fase de grande ansiedade porque sempre fui saudável e de repente vejo a minha vida muito limitada pela hernia e acido. Estou a tomar Omeprazol e Zantac mas gostaria muito de em breve controlar o acido reflux com apenas a alimentação e outros cuidados.
Sou professora e esta a ser dificil continuar a dar aulas como antes, ja que continuo com os sintomas de tosse (quando estou em silencio quase nao tenho tosse, ao falar agrava a tosse ja que a garganta esta irritada)

Resposta:
Olá Ana,
Para reduzir os problemas associados à hérnia do hiato é importante que incluas cereais integrais em todas as refeições principais, em especial o millet e o arroz integral. Usa também sempre legumes verdes levemente cozinhados, nomeadamente abóbora e cebola com abundância. A carne não é nada recomendada, pelo que o ideal será consumires leguminosas, em especial o grão. Também podes comer peixe branco (pescada, truta e outros), 3 a 4 vezes por semana.
Sopa de miso, preferencialmente de cevada não pasteurizada, nestes casos ajuda muito. Podes toma-la antes das refeições ou pela manhã, adicionando cebolinho antes de a levar à mesa. Chá de três anos ajuda a aliviar a condição e, se possível, procura por pasta umeboshi em lojas de produtos naturais ou biológicos, para tomares de vez em quando ou nas alturas de maior aflição.
A bebida de kuzu com umeboshi e shoyu é um bom remédio para a hérnia do hiato. – 2 a 3 vezes por semana durante 1 mês.
Muito importante também será usares sal marinho com moderação, em vez de sal refinado, comer a fruta com muita moderação e fora das refeições (preferencialmente cozinhada) e não beber líquidos durante as mesmas (dificulta o trabalho do estômago).
Porque vão piorar a condição do estômago, deves evitar, ou mesmo eliminar no primeiro mês, as solanáceas, isto é, o tomate, a batata, a beringela (são acidificantes). As carnes, como anteriormente indicado, também devem sair definitivamente da alimentação diária, assim como os óleos de má qualidade, as farinhas brancas e o açúcar refinados.
Comer 2 a 3 horas antes de ir dormir também é muito importante, porque na posição deitada um estômago cheio vai transbordar.
Desejo-te as melhoras

JOANA SILVA

Tenho 30 anos, casada e mãe de um rapaz de 3 anos e sempre fui bastante saudável. Mas nas férias do ano de 2013, no Algarve, tudo mudou. Nesse ano eu e a minha família ficamos num hotel, onde as refeições já estavam incluídas no pacote. Acabei por, provavelmente, abusar. O que aconteceu foi que comecei a andar mal disposta, enfartada, cheguei mesmo a vomitar, e associado a isto, e sem saber se até relacionado com isto, apareceu-me pela primeira vez, urticária. Na altura fui ao posto médico, onde me receitaram Rosilan, um corticoide para aliviar a urticária. De facto essa parte ficou resolvida nessa altura, porém o mau estar, os enjoos, e enfartamento continuou.  Já de volta à minha terra natal, São João da Pesqueira, consultei um especialista que me disse que provavelmente o que tinha tido seria uma gastrite derivada dos abusos alimentares, ou derivada mesmo do medicamento Rosilan.
Desde essa altura ainda não descobri, ao certo, o que aconteceu, mas os meus problemas de estômago continuam, assim como a urticária. Cheguei a fazer 2 endoscopias, nada detectaram. Fiz o tratamento para a irradicação da bactéria Helico Bacter Pylori, que entretanto descobriram que tinha, mas logo me disseram que isso não poderia ser a causa para o resto dos problemas.
Conclusão: continuo na mesma. Depois de ter consultado vários médicos especialistas, gastroenterologista e imuno-alergologia.
Em relação à urticária aparece várias vezes, principalmente quando estou adoentada, quando tomo ibuprofeno. Em relação ao estômago, agora nem são dores que sinto, sinto sim má disposição e excesso de gases, estou sempre a “arrotar”, e às vezes quando nem isso consigo fazer, pareço um balão, em que nem a saliva consigo engolir.
Factos relevantes: O meu trabalho é muito sedentário, passo muito tempo sentada; tenho alguns problemas depressivos, tomo medicação para induzir o sono, devido a uma depressão que tive a alguns anos. Actualmente só tomo esse medicamento (Trazadona, acho eu que é assim que se escreve) – 1/4; Sou uma pessoa que sofre de alguma ansiedade; Há cerca de 1 ano e alguns meses, fiz o desmame do resto da medicação que tomava (antidepressivos), e não sei se por causa disso, perdi 20 quilos, em muito pouco tempo, sem exercício físico, apenas com as precauções que tenho que ter sempre com a alimentação; Como de tudo, mas não gosto de queijo, e cada vez mais detesto comer carne. Acho que por mim, comia só massa e arroz, como costumo dizer.
Penso que falei do que acho ser mais importante e espero sinceramente que a sua colaboração juntamente com a do Doutor Francisco Varatojo me ajudem, ou me façam ver alguma luz ao fundo do túnel.
Muitos parabéns, e muito obrigada

Resposta:
Olá Joana,
Obrigado pelo cumprimento. Saúdo-te também por estares a deixar a carne, a tua intuição foi acertada.
Relativamente ao desconforto do estômago, um alimento que ajuda muito é o millet, um cereal que podes encontrar em lojas de produtos naturais ou biológicas. No entanto, apenas cereal não basta. Para além do cereal integral, que deve estar sempre presente nas refeições principais, também é importante incluíres legumes no teu prato. A abóbora e cebola cozinhadas são muito boas para o estômago, mas inclui também verdes escaldados e raízes (cenouras e nabos, que ajudam muito a reduzir a ansiedade). Um preparado que ajuda a aliviar o estômago é caldo de vegetais doces, que podes fazer adicionando a uma panela uma porção de couve, outra de abóbora, outra de cebola e outra de cenoura, cortadas aos cubos, cobrir com água e deixar ferver durante 20 minutos. No final bebes o caldo. O ideal será beberes no mesmo dia em que fazes o preparado, durante duas semanas, dia sim, dia não.
No que se refere às leguminosas, dá preferência ao grão, mas também ao feijão preto e ao feijão azuki. Também podes comer peixe de carne branca mas evita os de carne vermelha (atum, salmão, …).
No que se refere a alimentos a eliminar, são o leite e derivados, todo o tipo de refinados, como as farinhas brancas e de forno, os óleos refinados e, muito importante, o açúcar (incluindo o agave). Nota que o açúcar é inflamatório e está associado a uma série de problemas de ansiedade da atualidade.
Substitui o sal integral pelo sal refinado e mastiga muito bem, caso contrário vais estar a redobrar o trabalho do estômago. E comer sentada, com tempo e em paz, apreciando a refeição, faz milagres.
Evita comer 2 a 3 horas antes de ires de dormir e troca a televisão e o computador por um livro ou outra atividade relaxante, para favorecer um sono mais harmonioso. Experimenta pôr os pés de molho em água quente com sal antes de ir dormir.
Atividade física, como o ioga ou chi kung, também é muito importante, ou andar descansa na relva.
Desejo-te as maiores felicidades

MARTA FARIA

Sou ansiosa e muito nervosa  (tenho um medo terrível da condução e evito conduzir a todo o custo, não sei se é relevante este aspecto) e em tempos quando era confrontada com situações que me deixavam nervosa sofria muito de barriga  Até aqui era viciada em bolachas com chocolate, pão caseiro com manteiga, ovos estrelados, rissóis, croquetes, leite com café* (misturado), isto era a minha alimentação diária e não ficava por 1 pão apenas nem um pacote de bolachas. Só que entretanto fiz um teste no celeiro e descobri diversas intolerâncias (não sei até que ponto este teste será certo), nomeadamente ao glutén, lactose e couves, alface, pepino, entre outras coisas, umas mais e outras menos saudáveis. Desde aí, alterei algumas coisas na minha alimentação e quando o faço estou bem sem sentir a sensação de me sentir cheia. Quando como pão, bolos, bolachas (que são o meu vício, especialmente quando me enervo e fico triste/nervosa/ansiosa) com glúten etc, no outro dia noto, de novo, a minha barriga mais fraca e problemas intestinais. A minha questão é como posso melhorar a minha condição?  É caso para preocupação?  Quando como s/ lactose, gluten, durante 3 dias acordo mais leve, mais animada e curiosamente sem cansaço.
* Quanto ao café, desde os 15 anos que quando bebia café pingado, capuchino, galão, à noite quando saia com colegas, durante essa noite acordava para ir vomitar e ficava com intestinos afectados, ficava pálida, a tremer etc, até que deixei. E hoje não bebo nem leite, nem café, nada e passo bem sem isso. Até o cheiro me faz impressão.

Resposta:
Olá Marta,
Deixo-te aqui algumas recomendações que ajudam a melhorar a condição intestinal. Como o cérebro está muito ligado ao intestino, é provável que também sintas melhorias ao nível das tuas ansiedades.
Come sopa de miso, preferencialmente de cevada não pasteurizada, pela manhã ou antes do almoço. Podes juntar-lhe cenoura e cebolinho, este último imediatamente antes de a servires.
Um prato principal saudável deve incluir um cereal integral (bem cozinhado até ficar sedosos, devendo ser demolhado, preferencialmente o arroz integral), legumes cozinhados em abundância (dá preferência à cenoura, ao nabo, ao rábano e a outras raízes, mas não esquecendo de também incluir os verdes no prato) e ainda leguminosas ou peixe bancos (este último, duas a três vezes por semana). Nas leguminosas, dá preferência ao feijão preto e ao feijão azuki (demolhados por 8 horas e cozinhados com alga kombu).
Inclui picles de boa qualidade no prato, como o chucrute sem açúcar (lê o rótulo). Um tempero que ajuda particularmente no teu caso, e que podes encontrar em lojas naturais ou biológicas, é tekka.
Evita todo o tipo de alimentos processados, como as farinhas brancas, os óleos hidrogenados e os açúcares. Em particular o açúcar é muito amigo da ansiedade; opta por geleia de arroz, se quiseres adoçar sobremesas. Evita os pratos de forno durante cerca de um mês.
Como remédio caseiro, experimenta chá de feijão azuki ou de feijão de soja preto, com 2 a 3 gotinhas de molho de soja saudável (sem inclusão e açúcar, lê os rótulos).
É também importante mastigares muito bem, comer sentada, com tempo e em paz. A mastigação proporciona um relaxamento natural, para além de favorecer a digestão.
O exercício também é importante, opta por ioga, chi king ou outras das quais tires prazer.
Desejo-te as maiores felicidades

TELMA GUERREIRO

Estou a escrever-lhe com uma dúvida para o Francisco Varatojo. Tenho 27 anos e fui recentemente diagnosticada com esclerose múltipla. Sei que é possível uma vida normal, mas também sei que há certos cuidados que tenho de ter. Já antes tinha começado a cuidar da minha alimentação, mas agora ainda penso que é mais importante. Tento comer massa e arroz sempre integrais, muitos legumes e fruta, tento não comer nada que tenha açúcares adicionados, entre outros. Por vezes é difícil equilibrar-me pois estou neste momento a tirar um curso de pastelaria, e entre provar as coisas nas aulas e os horários longos das aulas, torna-se por vezes um desafio.
A minha questão é se há algum cuidado específico que deveria ter, em termos de alimentação, por causa desta doença? Há algum alimento que deva evitar ou cortar, ou algum que devesse começar a ingerir?

Resposta:
Olá Telma,
Já vi casos com esclerose múltipla em que a alimentação teve resultados incríveis, ainda que cada caso seja um caso e cada ser humano é, em si, diferente e especial.
Sugiro-te a seguinte experiência: durante um mês elimina as farinhas de forno, como o pão, bolachas e outros da tua alimentação. O açúcar também deve ser excluído totalmente porque ataca o sistema nervoso. Deves eliminar também todos os produtos de origem animal, nos quais se incluem os produtos lácteos e todo o tipo de carne. As gorduras, nas quais se incluem os óleos e o azeite devem ser usadas em pequena quantidade, sob a forma de vegetais salteados, 3 a 4vezes por semana.
Agora que estás a pensar no que irás comer durante o mês experimental, recomendo: que continues com o arroz integral e outros cereais integrais em todas as refeições, bem como legumes de folhas verdes (muito importantes) e algas. As leguminosas no prato também são importantes, tens as lentilhas, o feijão azuki ou feijão de soja preto. Toma diariamente sopa de miso com gengibre, ao início da manhã ou antes das refeições. Se quiseres um doce, abóbora cozinhada como muito pouca geleia de arroz é uma boa opção.
Comer sentada, calmamente, mastigando muito bem também é essencial para equilibrar e relaxar o sistema nervoso – não é por acaso que comemos quando estamos nervosos.
Para além da alimentação, é importante fazeres diariamente um banho seco, que consiste em passares uma toalha húmida e quente pelo corpo, de forma vigorosa, preferencialmente pela manhã. À água quente também podes adicionar um pouco de gengibre, de vez em quando. Compressas de gengibre ao longo da coluna (exceto durante a gravidez) ou esfregar as palmas das mãos e dos pés com gengibre também podem ajudar.
Depois do mês de experiencia, vê como te sentes. Depois desse mês pode começar a introduzir muito pouco azeite e outros, mas notando sempre quais as alterações no estado de saúde.
Cantar, inscreveres-te num coro, ou exercícios respiratórios… Às vezes, pequenas atividades fazem muita diferença. E respeitares os teus tempos, descansares quando estás cansada e agires quando com energia.
Desejo-te as maiores felicidades

JOANA LEAL

Sou a Joana Leal, tenho 20 anos e estudo fisioterapia. No início de 2015 vi o filme Cowspiracy que, segundo a minha mãe, me “fez uma lavagem cerebral”. Entretanto já vi mais um montão de documentário sobre comida, comida a sério. Uma das coisas que aboli da minha cozinha foi o sal e passei a usar especiarias nomeadamente: Açafrão. Já me disseram que o iodo do sal faz falta ao nosso organismo e acabei por ficar com algumas dúvidas. Fará mesmo falta o sal ou pode ser substituído pelas especiarias?

Resposta:
Olá Joana,
Acerca do sal, o mesmo é essencial a certas funções do corpo, já que o sódio permite a transmissão de impulsos nervosos no corpo e está associado à movimentação muscular. Nota que o sal está presente em todos os líquidos do corpo humano, seja nas lágrimas, no sangue ou na urina. Para além disso é também fundamental para nos sentirmos saciados quando comemos.
Naturalmente, que deve ser usado sal de boa qualidade à refeição, isto é, sal integral, e de forma moderada. O sal a evitar é o refinado, ao qual, no seu processo de refinamento, são adicionados outros compostos, alterando as qualidades originais do mesmo.
Noto ainda que as especiarias não são a melhor opção, usa antes as aromáticas.
Deixo-te aqui uma outra dica de como usares sal integral: se sentires dificuldade em adormecer ou relaxar, podes molhar os pés em água quente com sal. Induz a um relaxamento muscular.
E posto isto, desejo-te que faças as pazes com o sal (de boa qualidade) e que o passes a utilizar de forma equilibrada. Se não quiseres usar sal, podes sempre usar algas como condimento, como por exemplo a nori ou a kombu.
Felicidades