Quem passou, em idade para se lembrar do arranque do ano 2000 (portanto, bebés dos anos 90 não contam e deste milénio muito menos) com certeza que ainda retém a imagem do “Bug do milénio”, uma imprecisão informática que ao passar da meia noite do ano 1999 à meia noite e um segundo do ano 2000 deitaria abaixo milhares de softwares em todo o mundo (sou sincera, não me lembro do porque, posso ir procurar à internet, mas para quê fingir que sou uma entendida em informática ) .

O bug acabou por se tornar uma fraude e os computadores lá estavam, em todo o seu esplendor, no dia 1 de Janeiro. E tudo isso aconteceu dias antes de uma das mais duradouras e importantes decisões da minha vida. Esse fim de ano fui passá-lo ao Brasil, com uns amigos, cumprindo todos os rituais que se estabelecem nesse país: Beber água de coco, comprar um biquino tão minúsculo que acabei por nunca usar, experimentar sucos de frutas nunca antes vistas, visitar cidades de nomes terminados em “uacarará”, “pipirití” ou “ópolis”, comer arroz com feijão e evidentemente ir a um rodízio de carne. A experiência foi incrível, tínhamos vindo da praia, com um bronzeado de revista, cabelo molhado, uma fome selvagem e sentamo-nos num restaurante onde tudo parece suculento.

A baba escorria-me vendo os senhores a passar com bocados de comida espetada num ferro, palavra que poucas vezes na vida tive tanta fome. E finalmente chega à mesa um empregado de mesa entusiasmado por sermos portugueses. Ele falava dos tios do norte de Portugal e eu arregalava os olhos lascivos para os pedaços de carne vermelhinha pendurados no baloiço de metal. Eu não escutei nada do que ele disse, até que profere a frase: “Esta carninha é a mais tenra que algum dia vão experimentar, o bezerro leva uma bela sova antes de ser abatido para que esteja tudo bem macio”. A fome acabou ali, imediatamente e decidi, nesse mês de Janeiro de 2000 nunca mais comer carne na vida.

Esse foi o meu “clique”. Não faço ideia se essa história era verdade ou era apenas uma piada de mau gosto daquele senhor, mas isso levou-me a iniciar uma investigação, na ainda pouca informação sobre o assunto, do tratamento dos animais para consumo, e encontrei coisas muito feias, histórias aterradoras sobre o tratamento de vacas, porcos e aves, e teorias muito bem fundamentadas sobre a intuição da morte destes seres quando a morte se aproxima. Na altura eu não tinha nenhum tipo de consciência de saúde através da alimentação, ou seja, esta decisão teve apenas e exclusivamente a ver com o respeito e misericórdia por estes bichos. Só anos mais tarde, bastantes, é que entendi como o consumo de carne está associado, provado em cada vez mais estudos e trabalhos feitos por cientistas ligados à saúde, a problemas de coração até a alguns tipos de cancro. Este blog não defende verdades absolutas, pois teorias há muitas e nós vamos procurar as que mais nos convém, mas é bom apontar o facto de cada vez existirem mais pessoas isentas, sem ganhos com isso, que estão do lado dos vegetarianos. E eu sinto-me bem, tenho energia suficiente, fiz uma meia-maratona este ano, e em todos os exames pareço estar rija, portanto, a minha experiência de vida sem carne tem óptimos resultados.

Terei tempo de, aqui, vos trazer estes estudos todos de que vos falo, de vos falar melhor da minha experiência e de vos mostrar boas alternativas, e deliciosas, à carne. Se entretanto vos apetecer dar uma vista de olhos a este filme feito por um cardiologista e um cientista nutricionista sobre o assunto cá está. Chama-se “Forks Over Knives” e tem inúmeros links gratuitos pela net, o que, neste caso de informação para a saúde, parece-me bem. Se tiverem um tempinho vejam, mostra como deixar de comer carne pode ser uma decisão positiva.

Cliquem aqui para ver o filme Forks Over Knives.