Um dia de inverno, estando descansadinha em casa preparando-me para sair quando me telefona o Nuno (Markl) para me pedir para lhe enviar os textos da “Caderneta de Cromos”, que na altura fazia, porque se tinha esquecido de os enviar por mail. Sim senhora, atirei-me à tarefa e segui a minha vida.Acontece que por causa disso fiquei sem tempo para tomar o pequeno almoço e fui para a rádio, fazer emissão, em total jejum. E se há coisa que custa numa profissão em que é suposto falar muito é não comer. Ora, o meu estômago começou a queixar-se de mansinho aumentando a sublevação à medida que o tempo passava e acabei por ficar com umas dores que nunca tinha sentido. Estas rádios da concorrência, as coisas que fazem para aniquilar os locutores das outras estações, pensei, enquanto me arrastava fora do estúdio naquele que seria o primeiro de muitos dias de tortura total. Fui a urgências de hospitais, médicos especializados, e eu sempre na mesma: A emagrecer parvamente pois cada vez que comia morria com as dores. Até que a minha mãe, nos as mães sempre tão espertas, me falou do Francisco Varatojo, um tipo ligado à macrobiótica e que tinha tratado um problema qualquer de uma amiga. E eu já estava por todas. Lá fui.

O Francisco tem sempre um ar altamente relaxado e simpático e, qualidade que mais aprecio, passa, quase sempre, a ideia de que tudo tem fácil resolução. Assim foi comigo. Expliquei-lhe o que tinha e ele olhou-me nos olhos com uma lanterninha, mediu-me o pulso, olhou para todas as minhas feições, e disse-me que tinha uma gastrite e o fígado bastante fraco, e deu-me um livro cheio de recomendações e receitas. Eu abri aquilo, não reconheci o nome de quase nada do que lá estava, e fechei-o com aqueles ar impávido de quem conhece tudo. Levantei-me, disse que iria estudar tudo para casa e pedi-lhe uma última coisa: O nome de algo que eu pudesse comer imediatamente sem voltar a sentir as habituais e horrorosas dores, pois estava faminta. “Millet com abóbora” disse-me ele e despediu-se. Confesso que também não fazia ideia do que era e só na loja percebi que é um cereal amarelo muito parecido ao couscous. Cheguei a casa, cozinhei o tal millet com quadradinhos de abóbora, experimentei a medo, temendo o castigo a nível de estômago mas nada aconteceu. E em dois dias estava totalmente curada. A partir daí fui investigando, tirando workshops deste tipo de culinária e acabei por me inscrever no curso de 3 anos de macrobiótica, estando a meio neste momento.

alimentos-que-tambem-curam

Não vos consigo explicar o que é a macrobiótica aqui neste espacinho, mas faço-o noutro lugar neste blog. Só vos quero dizer, para acabar a explicação de porque me tornei uma “macromulher” ou “mulherbiótica”, como queiram, que obviamente tudo teve a ver com minha miraculosa recuperação em tempo record e, sobretudo, sem tomar medicamento algum. Estou até feliz por ter tido aquelas dores terríveis há quatro anos porque, ao ter mudado bastante a minha alimentação, melhorei muitíssimo a minha saúde e agora estou incrivelmente sadia e rija (até já corro meias-maratonas e tudo…)