Cá temos uma coisa que nunca jamais falta na minha casa: Cereais integrais. São uma das partes mais importantes de uma refeição por serem altamente completos (pois são semente e ainda fruto), e têm minerais (muitos), vitaminas e fibras. Sei que não estamos muito acostumados a confiar neles como alimento protagonista de um prato,  pois os cereais são vistos sempre como actores secundários, como um acompanhamento que até podia nem lá estar, sendo habitual que a proteína animal ganhe essa relevância. Mas  digo-vos que devíamos mudar um bocado esse paradigma e começar a dar credibilidade a esta parte da alimentação. Aliás, a base da pirâmide alimentar da Universidade de Harvard (e da macrobiótica também) é feita de cereais integrais, sabiam?

Eu conheço essas dietas famosas (eu acho que é sempre a mesma, só que com nomes diferentes ) que promovem a eliminação de cereais e que têm criado o mito de que comer cereais engorda, ponto final.  Bom, para começar acho esse tipo de regime alimentar perigoso (mas podemos discutir isso num outro post) e depois, e isto é muito importante,  há uma diferença grande entre cereais refinados e os integrais.  É que os integrais, à diferença dos outros, têm açúcares de  absorção lenta e têm muitas fibras, e podem muito bem ajudar a emagrecer, ao contrário do que se possa pensar. Eu asseguro-vos (porque experimentei comigo mesma)  que com uma dieta regrada (não vale cometer loucuras no resto do dia),  onde a maior parte do nosso prato seja preenchido por cereais integrais, não só não engordamos como começamos a diminuir de tamanho, e tudo de uma forma super saudável e sem falta de açúcares bons, essenciais para o sistema nervoso.

Já agora, e comparando cereais refinados com integrais,  digo-vos que a grande diferença entre os dois não é apenas a cor mas também a falta brutal de nutrientes. O  branqueamento destrói mais de 50% de vitaminas e minerais que não conseguem ser respostos com  nenhum enriquecimento posterior.  Quanto ao preço, é verdade que os cereais branqueados são mais baratos que os integrais, no entanto, há locais onde  os integrais se podem comprar a granel e ficam mais em conta  (em algumas cooperativas e grandes lojas de dietéticos) e obviamente há cereais mais acessíveis e que vamos cozinhar mais do que outros que se podem usar em menos quantidade adicionando a sopas, por exemplo. De todas as formas acredito mesmo que comer melhor diminui a factura em medicamentos.

Eu, se tivesse tempo,  escreveria uma ode aos cereais integrais, um musical que realçasse as suas propriedades limpadoras, emagrecedoras e energéticas. Estou-lhes agradecida, de facto. Mas bom, não me vou alongar mais nesta introdução e como também não queria que este post ficasse infinito, decidi falar-vos apenas dos 5 cereais  que uso mais. Vamos a isso?

ARROZ INTEGRAL

 

arrozintegralTenho sempre arroz integral cozinhado em casa. Com ele faço pequenos almoços supimpamente bons e nutritivos (mostrarei no blog com certeza) utilizo em todo o tipo de pratos e ainda o uso para fazer lanches (bolinhas de arroz com alga nori, por fora, é uma boa solução para comer algo entre refeições). O arroz integral tem imenso cálcio e é uma óptima ajuda para dietas sem lacticínios. O arroz integral é um grande amigo na hora de emagrecer pelas suas carradas de fibras.

Para credibilizar tudo isto que vos digo chamo, aqui e agora, uma  entidade norte americana chamada “Whole Grain Council ” (o concelho dos cereais integrais) que nos  diz que o arroz integral tem magnésio (para os músculos, eliminar gordura dos vasos sanguíneos, e controlar diabetes) , fósforo (presente nas membranas celulares, nos dentes, e partícipe no metabolismo) selênio (reforça defesas e previne alguns tipos de cancro), tiamina (óptimo para o cabelo e unhas), vitamina B6 (auxilia o metabolismo e o sistema nervoso), e manganésio (fundamental para os ossos).  A “Whole Grains Council” diz-nos, ainda,  que o arroz integral tem bastante mais fibra que qualquer fruta  e que deve ser consumido várias vezes por semana. O arroz integral, ainda por cima, não tem glúten (nem mesmo o glutinoso, mesmo chamando-se assim), portanto é ideal para dietas específicas.

Para o cozinhar é importante deixar a demolhar durante, pelo menos, duas horas, para que seja mais fácil a sua digestão. Depois é uma medida de arroz para três de água, dosagem dependente daquilo que queiram fazer com ele. Quanto ao preço, o arroz integral é, a par do millet, um dos cereais integrais mais baratos e encontra-se facilmente em lojas dietéticas (com a vantagem de ser bio) ou então em qualquer hipermercado. O melhor, e é o que eu faço, é comprar a granel se for possível. Poupa-se imenso.

CEVADA

 

cevadaÉ engraçado porque, para a maior parte das pessoas que conheço, a cevada é, apenas, a componente da cerveja, ou então uma das protagonistas daqueles cafés que em crianças podíamos beber. Suponho que os versos “Cevada, chicória ,centeio é a sua composição, Brasa é a bebida que aquece o coração” fizeram-nos acreditar que a função deste cereal é, só, a de nos aconchegar o corpo em forma de café. E isso é tão injusto.

Para terem uma ideia das imensas propriedades que lhe são reconhecidas desde sempre, Hipócrates,  o pai da medicina, recomendava curativos à base de cevada e só depois desta tentativa é que o paciente seria tratado de outra forma.

Sabe-se que a cevada é o cereal mais eficaz para eliminar gordura animal acumulada durante muitos anos ou, então, após um exagero pontual, tipo depois de um fim-de-semana em casa de uns  avós que vivem no campo, estão a ver? Portanto é óptima para baixar o colesterol e ainda para desinflamar o intestino e para manter o cólon saudável. E para além disto tudo,  é um dos cereais mais recomendados para dores nas articulações. É uma ajuda em casos de cancro da mama (pela sua propriedade em dissolver a gordura) e, como quase todos os cereais integrais, ajuda a equilibrar os níveis de açúcar no sangue sendo benéfica em casos de diabetes.

A cevada é um cereal óptimo para o inverno pois aquece bastante o corpo.  E como a cozinhar?  Tal e qual o arroz. Deixa-se a demolhar e depois é fervida podendo servir para acompanhamento (misturada num refogado ou com qualquer ingrediente que gostem lá dentro) ou então metendo-a na sopa o que dá um resultado incrível pois a película transparente da cevada dá uma consistência óptima. Também a podem consumir em saladas frias. Outra boa solução para consumir cevada é fazendo chá. Para isso devem tosta-la primeiro e só depois usar o grão (tostado) dentro de água até ferver e fazer uma infusão. Desta forma a cevada é também boa para eliminar gordura e emagrecer.  Outra das coisas que se dizem acerca da cevada, e tendo em conta que os alimentos influenciam o nosso sistema nervoso até pode estar acertado, é que o seu consumo faz-nos mais relaxados e bem dispostos. Se é verdade ou não,  só saberão se experimentarem, mas tenho a certeza que, se comerem cevada antes de vir a este blog, gostarão ainda mais dele.

MILLET

 

milletO millet, ou milho painço,  é, injustamente, um dos cereais menos conhecidos e usados em Portugal.  A par do arroz integral é o meu favorito pela quantidade de vezes que já me foi útil. Aliás, não só é um cereal útil como, para mim, foi milagroso, pois o  millet tratou-me de uma gastroenterite  daquelas de caixão à cova. Bastaram dois dias a comer e os sintomas desapareceram por completo. E isto é facilmente explicável pelas propriedades alcalinas do millet (é, de todos, o cereal mais alcalino ).

O milho painço suaviza o estómago e trata, rapidamente, de desarranjos intestinais, sejam eles quais forem . O millet tem magnésio, cobre (necessário, por exemplo, no fígado, cérebro, ossos e rins) e tem fósforo, sendo óptimo para melhorar enxaquecas crónicas, problemas respiratórios e a condição cardíaca. As suas propriedades mais apontadas são, como já vos disse, melhorar muito problemas de estômago  e o controlo de diabetes (por ser um cereal que equilibra bastante os níveis de açúcar no corpo).

O millet é muito fácil de fazer, mas há um truque para ter um sabor mais intenso: Torra-lo um pouco no fundo do tacho antes de inserir a água. Depois de ficar com um cheiro mais intenso insere-se o líquido sendo de duas medidas para uma de millet. E depois é tal e qual o arroz, deixa-se ferver até estar a gosto.. Pode comer-se como simples acompanhamento, em sopa ou, e reparem nisto que é uma boa dica, triturado com couve-flor, o que resulta num puré maravilhoso. Eu aconselho muito nos pratos das crianças, porque o millet acalma-os (ao dominar os açúcares malucos que andam pelo corpinho deles) e porque lhes suaviza o estômago (assim que o Pedro profere a frase “doi-me a barriga”  vou logo fazer millet para o jantar).  Convém dizer, também, que o millet não tem glúten.  Encontra-se facilmente em grandes supermercados a um preço razoável e se o comprarem a granel ainda melhor.

QUINOA

 

quinoaDa quinoa já vos falei bastante numa outra zona deste blog, onde se conta como se pode cozinhar e comer, portanto não me vou alongar muito. Apenas queria recordar que não tem glúten e o quão nutritiva é, sendo escolhida como o alimento vegetal mais completo pela Academia de Ciências dos Estados Unidos. No que toca a propriedades, tem a vitamina A (usada para a visão, a pele, o cabelo, o sistema imunológico), vitamina B1 (nivela a energia do corpo, saúde dos tecidos e da pele), vitamina B2 (usada para a respiração celular,a visão e a pele), vitamina B3 (usada para o metabolismo, o restauro de ADN, controlo de enxaquecas e colesterol, e problemas psiquiátricos), vitamina C (antioxidante, diminui colesterol, previne doenças cardíacas, resistência a algumas doenças e é uma vitamina anti-envelhecimento).

A quinoa encontra-se em lojas dietéticas e o seu preço é puxadote por isso uso só de vez em quando.

TRIGO SARRACENO

 

sarracenoO trigo sarraceno é um dos ingredientes da minha massa favorita: a soba (importantíssima para correr a meia-maratona, mas já vos falo disto mais à frente) .

Bom, o trigo sarraceno não é um cereal mas sim um grão, embora seja arrumado nas lojas na secção de cereais, portanto isto é um pormenor, apenas.  O que importa saber é que este grão é o mais adequado para a altura em que estamos a entrar: O frio. Aliás, é comer uma tijela de trigo sarraceno e estamos prontos para irmos , valentes, à Serra da Estrela. Por esta propriedade quente o trigo sarraceno é muito usado em países super frios como a Polónia e a Rússia onde se chama “Kasha”. O sarraceno tem os aminoácidos essenciais, proteínas, minerais e uma boa dose de vitaminas. Também é óptimo para ajudar a circulação sanguínea, usado para aliviar varizes.  O trigo sarraceno é recomendado para fortalecer os rins e os órgãos sexuais e, ainda, em casos de hipertensão.

Portanto, propriedades não lhe faltam, e ainda por cima, é um grão que aporta uma energia extra ao nosso organismo. A história da minha meia-maratona tem a ver com isso, precisamente,  porque na manhã em que aconteceu, estando eu num hotel com um pequeno almoço incrível ao meu dispôr, decidi não tocar em nada, retirar-me, subir para o quarto, abrir a minha lancheirinha e retirar de lá, para comer como pequeno-almoço, um prato com soba (o tal esparguete  feita do trigo) que eu tinha levado de Lisboa (a prova foi no Porto). Eu apostei imenso na soba para me aportar os hidratos necessários para o esforço e no seu bónus energético. Acredito que isso me ajudou imenso a não ter tido desconforto nenhum, estar leve e não ter sentido cansaço exagerado. Foi limpinho.

O trigo sarraceno, em forma de grão cozinha-se tal e qual o arroz e depois pode usar-se em qualquer prato quente, em saladas, em sopa ou até para fazer barrinhas de cereais. Encontram-se, habitualmente, pães feitos de trigo sarraceno, e muitos tipos de massa.  A soba, o milagre das corridas, é uma massa bastante cara que eu só me dou o luxo de comprar de vez em quando. A soba é tão saborosa que não é preciso grandes molhos para meter por cima, o seu próprio sabor já é uma alegria.